Policiais fazem protesto na cidade mais perigosa da Argentina

Manifestações ocorrem desde segunda-feira (9) e reivindicam melhores condições salariais e saúde mental

Departamento de Polícia de Santa Fé recebe manifestações de policias na madrugada desta quarta-feira (11)

Policiais de Rosário, na Argentina, realizam manifestações que reivindicam melhorias salariais e atenção à saúde mental na madrugada desta quarta-feira (11). Segundo os manifestantes, os protestos devem seguir durante o dia.

Cerca de 200 pessoas, incluindo oficiais aposentados e familiares, queimaram pneus em frente à chefia de polícia da cidade, a mais atingida pelo crime no país, enquanto viaturas soavam as sirenes a poucos metros.

Entre as pessoas que participavam da vigília estava Néstor, um policial reformado de 68 anos que não revelou o sobrenome por temor de represálias e disse à Agência France-Presse que o neto, também policial, suicidou-se em maio de 2025.

Para Néster, o neto cometeu suicídio “incitado por este sistema corrupto que existe, por tantas pressões, pessoais mas também institucionais: que o dinheiro não dá, que é preciso fazer bicos, que a gente tem uma família para sustentar”.

Entre as reclamações, estavam cartazes que diziam “sem salários dignos não há saúde mental” e outro em forma de cruz com cerca de 20 nomes de policiais que se suicidaram ou morreram em serviço.

Após negociações que se estenderam até a madrugada desta quarta-feira com o governo provincial de Santa Fé, Gabriel Sarla, ex-policial e advogado que atua como mediador pelos manifestantes, informou aos oficiais que não houve avanços significativos nas reivindicações.

“Saímos meio cabisbaixos, de mãos vazias, porque o tema central, que era o tema salarial, não pôde ser tratado, não houve nenhuma proposta”, contou à AFP. “Não vejo muitas caras felizes, então calculo que vai continuar como está no momento”, completou

Em razão do protesto iniciado nessa segunda-feira (9), ao menos 20 agentes foram suspensos e receberam ordens para entregar as armas e coletes à prova de balas. A revogação dessas sanções é outra das reivindicações.

Após as notícias de Sarla, os manifestantes formaram rodas e concordaram continuar com os protestos durante esta quarta-feira.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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