Por que Bad Bunny é cidadão norte-americano, apesar de ter nascido em Porto Rico?

Lei estabelecida há um século concede direito a todos nascidos na ilha localizada no Caribe; país é considerado um território dos Estados Unidos

Bad Bunny no show do intervalo do Super Bowl

O show de Bad Bunny durante o intervalo do Super Bowl no último domingo (8) destacou referências de Porto Rico, seu país natal, e homenagens à América Latina. Porém, apesar de ter nascido no território caribenho, o cantor também possui status de cidadão norte-americano.

Na verdade, todos os porto-riquenhos possuem livre trânsito e são cidadãos dos Estados Unidos. Isso acontece porque o país latino americano é classificado como um território dos EUA, concedendo esses direitos a partir da Lei Jones-Shafroth, sancionada pelo presidente Woodrow Wilson, em 1917.

Apesar disso, eles não podem votar para eleger um (a) presidente do país norte-americano. Mas, ainda assim, podem participar das eleições primárias dos partidos, que definem os candidatos que disputarão a presidência dos Estados Unidos.

Os cidadãos da ilha caribenha são obrigados a servir à Forças Armadas dos EUA e a nação abriga bases militares de Washington, mas não participa das relações internacionais. Mas por que tudo isso acontece?

Entenda a relação Porto Rico x EUA

Porto Rico foi colonizado pela Espanha após a chegada de Cristóvão Colombo em 1493, se tornando um território de agricultura e mineração para o país europeu. A ilha localizada no Caribe permaneceu sob domínio espanhol até 1898, quando os Estados Unidos invadiram e tomaram posse na guerra Hispano-Americana.

O Tratado de Paris foi assinado ao final do conflito, com o qual os EUA adquiriram Porto Rico, Guam e as Filipinas. Após uma curta administração militar norte-americana, um governo civil foi estabelecido em 1900.

Em 1971, os porto-riquenhos tornaram-se cidadãos estadunidense e, em 1952, a ilha ganhou um novo status político ao tornar Estado Livre Associado, ganhando autonomia administrativa interna. Porto Rico é um território dos EUA, não um estado. Ou seja, a ilha pertence aos Estados Unidos, não possuindo soberania, mas tem uma Constituição própria desde 1952.

Ao mesmo tempo, os moradores da ilha já votaram em sete referendos sobre anexação com o país norte-americano (1967, 1993, 1998, 2012, 2017, 2020 e 2024). No último referendo, 58% votaram para se tornar um estado dos EUA, 29% para ter status de “livre associação com os EUA” e 11% escolheram a opção da independência política. Porém, o Congresso americano precisaria aprovar uma lei para que a anexação acontecesse.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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