Nessa segunda-feira (9), a Justiça de Hong Kong sentenciou o empresário e ativista pró-democracia Jimmy Lai a 20 anos de prisão, estabelecendo a pena mais severa já registrada sob a Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim.
O magnata de 78 anos, fundador do extinto jornal Apple Daily, já estava detido desde 2020 e foi considerado culpado por publicar artigos “sediciosos” e por instar países estrangeiros a imporem sanções contra o território. A sentença atual totaliza duas décadas por incluir 18 anos referentes a estas acusações e dois anos remanescentes de uma condenação anterior por fraude.
A decisão provocou forte reação da comunidade internacional e de defensores dos direitos humanos, que veem o veredicto como um golpe terminal à liberdade no território chinês.
Enquanto o Reino Unido prometeu intervir imediatamente em favor de Lai — que possui cidadania britânica —, o governo da China defendeu a legitimidade da sentença e rejeitou qualquer tentativa de interferência estrangeira. No campo diplomático, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou o desfecho como trágico e injusto, enquanto o presidente Donald Trump, que planeja visitar a China em abril, também pediu a libertação do empresário.
A família de Jimmy Lai descreveu o cenário como devastador. Seu filho, Sebastien Lai, expressou a esperança de que a diplomacia americana faça o presidente Xi Jinping reconhecer o erro da perseguição judicial.
Já sua filha, Claire, alertou para o estado de saúde debilitado do pai, afirmando que, caso a sentença seja integralmente cumprida, ele morrerá como um mártir na prisão.
Durante a audiência, que durou poucos minutos, Lai permaneceu impassível, limitando-se a cumprimentar sua esposa e ex-colegas de redação ao ser retirado do tribunal sob forte esquema de segurança, que incluiu veículos blindados e unidades de desativação de explosivos.
O caso também atingiu outros profissionais da imprensa, com oito coacusados, incluindo diretores do Apple Daily, recebendo penas de até 10 anos de prisão. Na sentença de 856 páginas, os juízes argumentaram que Lai agiu movido por ódio contra o Partido Comunista Chinês e operou como o mentor de complôs internacionais.
Por outro lado, organismos como a ONU e a Repórteres Sem Fronteiras denunciam a aplicação vaga das leis para silenciar vozes críticas, destacando que Hong Kong despencou no índice de liberdade de imprensa, ocupando atualmente a 140ª posição. O advogado de Lai tem agora 28 dias para apresentar um eventual recurso contra a decisão.
Com informações de AFP