O Governo de Cuba vai suspender o fornecimento de querosene nos aeroportos por conta da crise energética. Na última sexta-feira (6), o país havia anunciado medidas de racionamento de combustíveis em meio a apagões de larga escala.
Segundo a Agência France-Presse, as companhias aéreas foram informadas que a interrupção terá início nesta terça-feira (10).
“A aviação civil cubana notificou todas as companhias aéreas de que não haverá mais abastecimento de JetFuel, o combustível de aviação, a partir de terça-feira, 10 de fevereiro, às 00h00, horário local”, disse um funcionário de uma companhia aérea europeia, falando sob condição de anonimato.
Cuba enfrenta escassez de petróleo desde que os EUA capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro e passaram a impedir o envio de combustíveis para o país. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem que prevê tarifas contra países que exportem petróleo para a ilha.
Nos últimos dias, Cuba tem registrado apagões em larga escala. Segundo dados da empresa belga Kpler, publicados pelo Financial Times, o país tem petróleo suficiente para apenas 15 a 20 dias.
De acordo com o ministro do Comércio, Oscar Fraga-Pérez, o governo vai priorizar o uso de combustível para serviços essenciais, como saúde, defesa e os sistemas de abastecimento de alimentos e de água. Os setores agrícola e de turismo também serão priorizados. O ministro dos Transportes, Eduardo Rodríguez, afirmou que voos nacionais e internacionais estão mantidos.
Para tentar contornar o bloqueio imposto por Trump, o governo anunciou que vai descentralizar a importação de combustíveis, permitindo que qualquer entidade com capacidade para importar o produto possa fazê-lo. A geração de eletricidade continua no país e há reforço nos investimentos em produção de energia solar.
O ministro do Trabalho, Jesus Otamendiz, afirmou que o plano de contingência inclui a garantia do pagamento de um salário básico aos trabalhadores estatais durante a crise.
Enquanto isso, os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (5) o envio de 6 milhões de dólares em ajuda humanitária para a ilha. Os recursos, segundo Washington, têm como objetivo reduzir os prejuízos causados pelo furacão Melissa, que atingiu Cuba em outubro.
O vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossio, classificou a medida como hipócrita. “É bastante hipócrita aplicar medidas coercitivas draconianas, negando condições econômicas básicas a milhões de pessoas, e depois anunciar sopa e comida enlatada para poucos”, escreveu de Cossio nas redes sociais.
EUA impõem sanções a Cuba
O presidente Donald Trump, assinou no dia 29 de janeiro uma ordem executiva que impõe tarifas aos países que vendem petróleo à Cuba. Para Trump, a medida é considerada necessária para a “segurança nacional”, entretanto, Havana classificou como um “ato brutal de agressão”. A decisão aumenta a pressão sobre o governo cubano, que atualmente não consegue suprir metade de suas necessidades de energia elétrica.
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“Denunciamos ao mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e seu povo, que há mais de 65 anos são submetidos ao mais prolongado e cruel bloqueio econômico jamais aplicado contra uma nação inteira”, escreveu na rede social X, antigo Twitter, o chanceler Bruno Rodríguez.
“Poderá ser imposta uma tarifa adicional ‘ad valorem’ [de acordo com o valor] sobre as importações de bens que sejam produtos de um país estrangeiro que venda ou forneça, direta ou indiretamente, qualquer tipo de petróleo a Cuba”, indica o texto publicado pela Casa Branca.
(Sob supervisão de Lucas Borges)