O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nessa quinta-feira (29) uma ordem executiva que ameaça impor tarifas aos países que vendem petróleo à Cuba.
Para Trump, a medida é considerada necessária para a “segurança nacional”, entretanto, Havana classificou como um “ato brutal de agressão”. A decisão aumenta a pressão sobre o governo cubano, que atualmente não consegue suprir metade de suas necessidades de energia elétrica.
“Denunciamos ao mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e seu povo, que há mais de 65 anos são submetidos ao mais prolongado e cruel bloqueio econômico jamais aplicado contra uma nação inteira”, escreveu na rede social X, antigo Twitter, o chanceler Bruno Rodríguez.
A ordem executiva é apresentada pela Casa Branca como uma resposta a “uma emergência nacional”, o que permite iniciar “um processo para impor tarifas às mercadorias de países que vendem ou, de outra forma, fornecem petróleo para Cuba, protegendo assim a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos”.
O texto não menciona os países que poderiam ser afetados, nem o percentual das eventuais tarifas. Um dos possíveis prejudicados é o México, que atualmente fornece petróleo bruto vital para a ilha. Entre janeiro e setembro do ano passado, a empresa mexicana Pemex exportou para a ilha 17.200 barris de petróleo bruto por dia e 2.000 de derivados, por um total de US$ 400 milhões, segundo dados oficiais.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, reiterou durante a quinta-feira que o governo do país continuaria sendo “solidário” com Cuba.
“Poderá ser imposta uma tarifa adicional ‘ad valorem’ [de acordo com o valor] sobre as importações de bens que sejam produtos de um país estrangeiro que venda ou forneça, direta ou indiretamente, qualquer tipo de petróleo a Cuba”, indica o texto publicado pela Casa Branca.
“O presidente pode modificar a ordem se Cuba ou os países afetados adotarem passos significativos para enfrentar a ameaça ou se alinharem aos objetivos de segurança nacional e política externa dos Estados Unidos”, acrescenta a nota.
A nova ameaça do dirigente republicano surge no momento em que a ilha já enfrenta uma situação energética precária. Cuba, submetida a um embargo dos Estados Unidos desde 1962, registra há três anos escassez de combustível, com impacto direto sobre a produção de energia elétrica
(Sob supervisão de Alex Araújo)