O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nessa quinta-feira (29) que pretende retirar a certificação dos jatos da Bombardier e de outras aeronaves canadenses até que o vizinho norte-americano aprove os aviões da americana Gulfstream.
Trump fez o anúncio na plataforma Truth Social, no conflito mais recente com Ottawa. Uma tarifa de 50% aos aviões canadenses vendidos para os Estados Unidos caso o Canadá mantenha a proibição da venda de “produtos da Gulfstream” também foi anunciada.
O presidente americano acusou o país vizinho de se negar, de forma “injustificável, ilegal e persistente”, a garantir a certificação aos aviões e jatos americanos Gulfstream 500, 600, 700 e 800. As aeronaves já foram aprovadas para aviação civil em alguns países, como o Brasil.
A Bombardier, com sede em Quebec, afirmou em comunicado que “tomou nota da publicação” de Trump e que estava “em contato com o governo canadense”. “Todos os dias voam nos Estados Unidos milhares de aviões privados e civis fabricados no Canadá. Esperamos que isto seja resolvido rapidamente para evitar um impacto significativo no tráfego aéreo e para os viajantes”, acrescentou a empresa.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, minimizou nesta semana as ameaças recentes de Trump de impor tarifas de 100%. Para ele, as declarações são uma estratégia de negociação comercial.
Desde que assumiu o cargo, em março passado, Carney havia evitado uma relação ruim com Trump. Porém, desde o discurso amplamente comentado do primeiro-ministro no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o tom do presidente americano em relação ao Canadá é cada vez mais duro.
Trump e Carney trocam farpas em Davos
Sem fazer menções diretas a Trump, o primeiro-ministro Mark Carney comentou a situação de tensão na Groenlândia e um possível envio de tropas para o território, mesmo em meio a ameaças do presidente americano.
“Não se pode viver na mentira do benefício mútuo por meio da integração quando a integração se torna a fonte da sua subordinação”, afirmou Carney durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Em discurso no mesmo evento, Trump respondeu e chamou de ingrato o primeiro-ministro do Canadá, que “não demonstrou a devida gratidão” pelas ações dos Estados Unidos.
(Sob supervisão de Alex Araújo)