Dois prédios desabam no Líbano e matam 14 pessoas: ‘Anos de negligência’

Para o prefeito de Trípoli, cidade no norte libanês, a situação está além da capacidade da prefeitura

Cidade no norte do Líbano enfrenta problemas recorrentes com desabamentos

Dois prédios adjacentes desabaram na cidade de Trípoli, no norte do Líbano, e deixou 14 mortos nesse domingo (8), informou o diretor da Defesa Civil da cidade, Imad Jreish.

“As buscas e as operações de resgate terminaram. Oito moradores foram resgatados, mas infelizmente 14 pessoas morreram”, afirmou o diretor à imprensa. O número inicial de vítimas relatado incluía nove pessoas.

O primeiro-ministro do país, Nawaf Salam, afirmou em comunicado que o governo está totalmente preparado para fornecer auxílio-moradia a todos os moradores de prédios que precisaram ser evacuados.

“Dada a magnitude desta catástrofe humanitária, resultado de anos de negligência acumulada, e por respeito às vidas das vítimas, incentivo todos os envolvidos na política, em Trípoli e em outros lugares, a se absterem de explorar este desastre horrível para obter ganhos políticos baratos e imediatistas”, disse ele.

A agência estatal de notícias NNA informou o “colapso de um edifício antigo” no bairro Bab al-Tabbaneh, o mais pobre de Trípoli. Prédios vizinhos foram evacuados por medo de novos desabamentos.

Jumana al-Shahal, uma ativista local, declarou à Agência France-Presse que o incidente é “um testemunho do abandono acumulado desta cidade esquecida”.

Estruturas inseguras em Trípoli

No fim de janeiro, outro prédio desabou em Trípoli e as autoridades alertaram que 105 imóveis da cidade estavam sob risco e deveriam ser esvaziados.

Numerosos edifícios no Líbano estão em condições de abandono. Muitos foram construídos ilegalmente, especialmente durante a guerra civil entre 1975 e 1990.

O prefeito Abdel Hamid Karimeh disse a jornalistas que “declaramos Trípoli uma cidade em estado de calamidade” devido aos prédios inseguros.

“Milhares de pessoas em Trípoli estão ameaçadas devido a anos de negligência”, disse ele. “A situação está além da capacidade da prefeitura de Trípoli.”

*Com informações de AFP

(Sob supervisão de Lucas Borges)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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