O Senegal classificou como uma “tragédia” a morte do estudante de Medicina Abdoulaye Ba, em uma universidade de Dakar, capital do país, nessa terça-feira (10) durante confronto com a polícia. O governo reconheceu atos de violência por parte das forças de segurança que tentavam conter os protestos.
Estudantes universitários têm se manifestado há vários anos contra os atrasos no pagamento de bolsas de estudo, em um país onde as dificuldades econômicas pesam especialmente sobre os jovens.
Esses atos culminaram na segunda-feira (9) no campus da Universidade Cheikh Anta Diop (UCAD), uma prestigiada universidade da África Ocidental com dezenas de milhares de alunos.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram cenas de caos, com forças de segurança invadindo o campus e lançando gás lacrimogêneo contra os prédios, enquanto os estudantes revidavam atirando pedras.
“O que aconteceu ontem é uma tragédia”, declarou o Ministro do Interior, Mouhamadou Bamba Cissé, em uma coletiva de imprensa sobre a morte de Abdoulaye.
“Testemunhamos atos de violência de ambos os lados, e atos que vimos emanar das forças de defesa e segurança. Como autoridade, esses são atos que não posso tolerar”, completou.
Uma associação estudantil afirmou em comunicado que Ba “foi brutalmente torturado até a morte por policiais”, uma alegação que não pôde ser verificada imediatamente pela Agência France-Presse. Enquanto isso, as autoridades detiveram 105 estudantes na delegacia central de Dakar, segundo outro grupo estudantil.
Cisse disse que seu ministério recebeu “informações precisas indicando que certos indivíduos planejavam atacar a infraestrutura da universidade” e acrescentou que alguns começaram a atacar um refeitório na manhã de segunda-feira. Ele acusou alguns estudantes de possuírem granadas de gás lacrimogêneo e coquetéis molotov.
Há vários anos, o calendário acadêmico das universidades senegalesas vem sendo prejudicado por greves de estudantes e professores, causando sobreposições entre os diferentes anos letivos. Como resultado, os estudantes podem ficar meses sem receber suas bolsas, que variam de 20 mil a 60 mil francos CFA (entre US$ 36 e US$ 109) por mês.
“O governo precisa tomar medidas para garantir que essa situação não se repita. Estamos fartos disso”, disse à AFP Oumar Ba, um estudante de Matemática de 26 anos. Aproximadamente 75% da população do Senegal tem menos de 35 anos.
(Sob supervisão de Alex Araújo)