Desde a operação militar na Venezuela que capturou Nicolás Maduro e esposa dele, Cilia Flores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
No último domingo (4), Trump afirmou que a intervenção feita na capital venezuelana pode não ter sido a única e destacou a importância de anexar a Groenlândia, que está “cercada de navios chineses e russos”.
Ainda durante os ataques, Katie Miller, esposa do chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, fez uma publicação no X com tom de provocação à Dinamarca. Na imagem publicada, o mapa da Groenlândia está com as cores dos EUA e a legenda “em breve”.
Como resposta, o embaixador dinamarquês em Washington, Jesper Møller Sørensen, pediu “respeito total” ao país, ressaltou a aliança entre os países e disse esperar “naturalmente, o pleno respeito à soberania dinamarquesa”.
Entretanto, essas não foram as primeiras ameaças feitas por Trump à Groenlândia. Em 2024, próximo ao Natal, o presidente afirmou que o território era uma “necessidade absoluta” para a “segurança nacional e a liberdade no mundo”, e não descartou o uso da força para tomá-lo.
Diante das atuais tensões, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e seu parceiro da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, solicitaram uma reunião urgente com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, para discutir a situação.
“Gostaríamos de acrescentar algumas nuances à conversa”, escreveu Rasmussen em uma publicação nas mídias sociais. “A briga de gritos deve ser substituída por um diálogo mais sensato. Agora.”
Na última terça-feira (6),
Por que Trump deseja tanto a Groenlândia?
O território dinamarquês, que está coberto por gelo em 80%, além de possuir uma vastidão de minérios, é considerado um ponto militar estratégico para a expansão territorial almejada por Trump.
A ilha está localizada entre a Europa e a América do Norte, estratégico para o país estadunidense para implementação de um sistema de defesa contra mísseis balísticos e monitoramento no decorrer de décadas, principalmente após a suspeita da presença de submarinos russos na região. A riqueza mineral também se alinha com a ambição de Washington de reduzir a dependência da China.
Os Estados Unidos expressaram interesse em expandir presença militar na ilha ártica, incluindo a instalação de radares para monitorar as águas entre a ilha, a Islândia e a Grã-Bretanha, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.
Um acordo de 1951 entre os EUA e a Dinamarca deu ao país americano o direito de circular livremente e construir bases militares na Groenlândia, desde que a Dinamarca seja notificada das ações.
Historicamente, a Dinamarca tem acomodado os EUA porque Copenhague não tem capacidade para defender a Groenlândia e devido às garantias de segurança americanas à Dinamarca por meio da Otan, segundo Kristian Soeby Kristensen, pesquisador sênior do Centro de Estudos Militares da Universidade de Copenhague.
(Sob supervisão de Alex Araújo)