Em tribunal, Maduro se declara inocente de acusações dos EUA

Presidente deposto da Venezuela esteve frente a frente com um juiz federal nesta segunda-feira (5) nos EUA

Nicolás Maduro, líder da Venezuela.

O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, se declarou inocente das acusações que recebeu da Justiça dos Estados Unidos em audiência de custódia nesta segunda-feira (15), em um tribunal de Nova York, nos Estados Unidos.

Maduro esteve frente a frente com o juiz federal Alvin K. Hellerstein nesta tarde e recebeu formalmente as acusações de narcoterrorismo e conspiração. “Sou um homem decente”, disse ele, ao se declarar inocente.

Maduro recebeu a acusação de associação ao narcotráfico e narcoterrorismo ainda no primeiro mandato de Trump. Dessa vez, ele recebeu uma nova acusação com quatro pontos: ligação ao narcotráfico, conspiração ao tráfico de cocaína, porte ilegal de armas e conspiração para entrada e recebimento de armas.

O venezuelano precisou confirmar a identidade ao juiz e foi repreendido quando disse que “ainda é o presidente da Venezuela”. Maduro disse, ainda, que foi capturado em sua casa em Caracas. As declarações foram feitas em espanhol.

O juiz informou Maduro dos direitos e afirmou que tudo que o venezuelano dissesse poderia ser usado contra ele.

A audiência, também conhecida como “first appearance” (primeira aparição, em tradução livre), funciona como se fosse uma audiência de custódia, onde é definido o cronograma do processo, a acusação formal é feita e a defesa do acusado é apresentada. Barry Pollack, um advogado criminalista famoso nos EUA, foi designado para defender Maduro, enquanto Cilia Flores será representada por Mark Donnelly.

A expectativa é de que o processo dure um ano.

Leia também

Cronologia da prisão de Maduro

Ataque e captura (02h50 – 03h20)

  • 02h50 | Explosões em Caracas: Moradores da capital venezuelana relataram tremores e o som de aeronaves de guerra. Pelo menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de 30 minutos. Segundo informações obtidas pelo The New York Times, a ofensiva inicial deixou ao menos 40 mortos.
  • 03h00 | A Invasão da Força Delta: Tropas de elite da Força Delta invadiram o complexo onde Maduro estava com sua esposa, Cilia Flores. A inteligência da CIA, que monitorava o padrão de vida de Maduro desde agosto, foi crucial para o sucesso da incursão.
  • 03h20 | Extração Aérea: Em menos de meia hora, Maduro e Cilia foram retirados de helicóptero e levados ao navio militar USS Iwo Jima, posicionado estrategicamente no Mar do Caribe.

    Operação concluída (06h21 – 13h40)

    • 06h21 | Anúncio de Trump: Através da rede Truth Social, Donald Trump oficializou a captura: “Os EUA realizaram com sucesso um ataque de grande escala. Maduro foi capturado e retirado do país por via aérea”.
    • 06h40 | Reação Venezuelana: A TV estatal da Venezuela classificou a ação como “sequestro” e uma “violação flagrante da soberania e da Carta das Nações Unidas”. O governo chavista acusou os EUA de tentarem confiscar os recursos minerais e o petróleo do país.
    • 13h23 | A Foto do Flagra: Trump publicou a primeira imagem de Maduro sob custódia. Na foto, o venezuelano aparece algemado, com os olhos vendados e usando fones de ouvido.
    • 13h40 | Governo de Transição: Em coletiva em Mar-a-Lago, Trump afirmou que os EUA governarão a Venezuela imediatamente para garantir uma “transição sensata”. Ele descartou o apoio à opositora María Corina Machado, afirmando que ela não teria força para governar sozinha.

    Situação da Venezuela (15h00 – 18h40)

    • 15h00 | Substituição em Caracas: A vice-presidente Delcy Rodríguez rejeitou a autoridade americana e convocou um conselho especial de defesa. No entanto, a Suprema Corte da Venezuela ordenou que Rodríguez assuma a presidência interina para garantir a continuidade administrativa do país.
    • 18h40 | Desembarque em Nova York: A aeronave militar com Maduro pousou na Base Aérea de Stewart, em Nova York. Escoltado por mais de uma dúzia de agentes federais da DEA, Maduro foi visto algemado e vestindo roupas cinzas. Ele passou pelo processo de fichamento, incluindo coleta de digitais e fotos judiciais.

    Prisão (23h00)

    De acordo com fontes militares citadas pela CNN, nenhum soldado americano morreu na operação, embora alguns tenham sofrido ferimentos por estilhaços durante o confronto em solo.

    *Com CNN

    Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

    Ouvindo...