Porta-voz diz que Trump utilizará 'todas as ferramentas' para acabar com o PCC e CV
Departamento de Estado dos EUA anunciou que classificou o PCC e o CV como "Terroristas Globais Especialmente Designados" na última semana

A porta-voz do Departamento de Estados dos Estados Unidos, Amanda Roberson, afirmou, nesta segunda-feira (1º), que o presidente Donald Trump quer eliminar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) e, para isso, utilizará "todas as ferramentas a disposição".
A declaração de Roberson aconteceu durante uma entrevista à CNN Brasil. "O presidente Trump deixou muito claro desde o início do seu mandato que ele vai utilizar todas as ferramentas a nossa disposição para combater esses grupos criminosos que estão atuando na nossa região e para proteger a segurança dos Estados Unidos", disse. "O presidente Trump está atuando para eliminar estes grupos", acrescentou ela.
Ao ser questionada sobre se a classificação teria efeitos diretos sobre o território brasileiro, ou se restringiria à atuação dos grupos em solo norte-americano, Roberson destacou: "claro que vamos continuar colaborando com as autoridades brasileiras".
"Entendemos que a colaboração e a cooperação são importantes para poder enfrentar esses grupos que estão afetando comunidades brasileiras e americanas também", disse a porta-voz.
PCC e CV classificados como 'terroristas'
Na última quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos EUA anunciou que classificou o PCC e o CV como "Terroristas Globais Especialmente Designados". A medida, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, passa a valer nesta sexta-feira, em 5 de junho. Até então, os EUA tratavam o PCC e o CV apenas como facções criminosas, assim como o Brasil.
"O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros", destacou o comunicado.
Na prática, as autoridades estadunidenses passam a ter o poder de bloquear contas e ativos, impedir o acesso ao sistema bancário do país, limitar movimentações financeiras, punir pessoas e empresas que mantenham relações comerciais com integrantes das duas organizações e ainda aplicar sanções internacionais.
É importante destacar a medida dos EUA acontece um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da Repúblicam se reunir em Washington com Marco Rubio.
Entretanto, a porta-voz do Departamento de Estados dos Estados Unidos, Amanda Roberson, negou qualquer relação direta entre os dois eventos. Ela destacou que decisões como essa são tomadas com base nas prioridades dos Estados Unidos. "O presidente Trump tem reuniões e conversações com diferentes líderes políticos em todo o mundo, mas ele tem a responsabilidade para com os Estados Unidos", afirmou.
Logo após a decisão dos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu um levantamento detalhado sobre os possíveis efeitos da medida norte-americana. O pedido ocorreu durante uma reunião de emergência com ministros do governo federal.
A intenção do Palácio do Planalto é reunir informações técnicas para subsidiar uma eventual conversa com o presidente norte-americano, Donald Trump, em busca de reverter a medida. Os dois líderes chegaram a se encontrar no mês de maio, antes da decisão dos EUA, mas o tema não entrou na pauta da reunião.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



