Lula diz que não discutiu sobre PCC e Comando Vermelho com Trump
Presidente brasileiro afirmou que crime organizado precisa ser tratado no âmbito internacional com participação multilateral de diversas nações

Em entrevista após o encontro com Donald Trump nesta quinta-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que apresentou a seu par americano a proposta de construir um grupo de trabalho internacional para combater o crime organizado e que as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) não foram citadas na conversa. Os líderes se encontraram pela primeira vez na Casa Branca e discutiram questões de segurança e comerciais.
Perguntado sobre a possível classificação das principais facções criminosas do Brasil como organizações terroristas, Lula disse que o tema não foi abordado na conversa com Trump.
“Não foi discutido isso (PCC ou CV como organizações terroristas). Entreguei por escrito cada assunto que conversei com o presidente Trump. Eu terminei a reunião entregando para ele as propostas escritas em inglês, para ele não ter dúvida sobre o que nós queremos. Esse negócio de dizer que as facções, o crime organizado, tomaram os territórios no Brasil, nós temos que dizer que os territórios são do povo”, declarou o brasileiro.
A classificação da facção paulista PCC e da carioca CV como organizações terroristas é defendida pela oposição no Brasil e se enquadra no planejamento da política externa americana para intervenções em países latinoamericanos. As ações americanas na Venezuela em janeiro, por exemplo, foram diplomaticamente justificadas como uma intervenção de combate ao narcotráfico.
Em seu pronunciamento inicial, antes das perguntas de jornalistas, Lula também falou sobre a questão da segurança pública. O petista defendeu que o debate sobre o crime organizado em âmbito internacional se dê com a formação de um grupo de trabalho com ampla participação de diversos países.
“Nós resolvemos discutir assuntos que pareciam tabus. A questão do crime organizado. Eu disse que muitas vezes os Estados Unidos falavam em combater o crime e a questão das drogas tendo bases em outros países. Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece alternativa de esse país produzir outro produto para sobreviver? Eu disse para ele que nós estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América do Sul, América Latina, quiçá do mundo, para criar um grupo forte de combate ao crime organizado. É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos. E o Brasil tem expertise. O Brasil tem uma extraordinária Polícia Federal. Tem experiência no combate às drogas e ao tráfico de armas. É bom saber que parte das armas que chegam ao Brasil partem dos EUA”, avaliou Lula.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.




