Banco Master: Ciro Nogueira recebia mesada de R$ 500 mil de Vorcaro, diz PF
Diálogos encontrados no celular de Daniel Vorcaro mencionam repasses mensais ao senador, que atuaria como uma espécie de representantes dos interesses do banco no Congresso

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontam que pagamentos mensais ligados ao entorno do senador Ciro Nogueira chegaram a R$ 500 mil no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero.
Os diálogos foram reproduzidos na decisão do ministro André Mendonça que autorizou a quinta fase da operação da PF nesta quinta-feira (7). O senador, ex-ministro do governo Bolsonaro e presidente nacional do PP é um dos alvos.
Segundo os investigadores, os repasses estavam relacionados à chamada “parceria BRGD/CNLF”, estrutura que, de acordo com a PF, teria sido utilizada para operacionalizar pagamentos ao núcleo ligado ao parlamentar.
As mensagens envolvem Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema investigado, e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Primo de Daniel Vorcaro, ele foi preso nesta quinta-feira em Minas Gerais.Em um dos diálogos, de julho de 2024, Felipe pergunta:
“Oi, é para continuar pagando a parceria brgd/cnlf? 300k mes?”
Daniel responde apenas:
“Sim”.
Já em janeiro de 2025, Felipe afirma enfrentar dificuldades financeiras para manter os pagamentos, enquanto Daniel insiste na continuidade das transferências, classificadas como “muito importantes”.
A investigação indica que os valores aumentaram posteriormente. Em uma troca de mensagens de junho de 2025, Daniel questiona:
“Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”
Felipe responde:
“Vou ver se dou um jeito aqui.. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”
Para a Polícia Federal, as conversas reforçam indícios de pagamentos recorrentes vinculados ao senador e à estrutura empresarial investigada.
A decisão do STF afirma que há elementos indicando um “arranjo funcional” entre Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira, envolvendo vantagens financeiras, operações societárias consideradas atípicas e possível atuação parlamentar em favor de interesses do Banco Master.
A PF investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Em nota, a defesa do senador Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade e afirmou que o parlamentar não teve participação em atividades ilícitas investigadas pela Polícia Federal.
Os advogados disseram ainda que Ciro está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e criticaram a adoção de medidas cautelares baseadas em “mera troca de mensagens”, classificando as decisões como potencialmente “precipitadas”.
Leia a nota na íntegra:
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.
Antônio Carlos de Almeida Castro - Kakay
Roberta Castro Queiroz
Marcelo Turbay
Liliane de Carvalho
Álvaro Chaves
Ananda França
Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados”
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



