Candidato a deputado pelo Rio declara R$ 11,9 milhões em dinheiro à Justiça Eleitoral
Além do valor em dinheiro, Clébio Jacaré também declarou ser proprietário de um terreno avaliado em R$ 780 mil e de quotas no valor de R$ 20 milhões

Candidato à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro, o empresário Clébio Lopes Pereira, conhecido como Clébio Jacaré (União Brasil), declarou à Justiça Eleitoral ter mais de R$ 57 milhões em bens. Desse valor, ele afirma que R$ 11,9 milhões estão em dinheiro vivo.
Em 2024, quando disputou o cargo de prefeito de Nova Iguaçu, na região da Baixada Fluminense, o empresário declarou R$ 4,2 milhões em espécie. Segundo os bens declarados, apenas em dinheiro vivo, o candidato viu o montante crescer mais de 180% em um intervalo de dois anos.
Para este pleito, além dos R$ 11,9 milhões em dinheiro, Jacaré também declarou ser proprietário de um terreno avaliado em R$ 780 mil e de quotas no valor de cerca de R$ 20 milhões, além de participações empresariais e imóveis.
Candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral
Em 2024, quando tentava disputar o Executivo municipal na Baixada Fluminense, Jacaré teve a candidatura indeferida por decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Na época, ele foi alvo da Operação Apanthropia, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
As investigações apontaram Jacaré como mentor e líder de uma organização criminosa que teria se instalado na prefeitura de Itatiaia, município próximo à divisa com Minas Gerais.
Ele chegou a ser preso em 2022, no âmbito das investigações, mas foi solto posteriormente.
Segundo o MPRJ, Jacaré teria comandado um grupo que fraudava contratos entre empresas e o município. Na casa dele, os promotores apreenderam cerca de R$ 30 mil e US$ 3 mil em espécie.
O candidato era diretor da Doctor Vip, empresa subcontratada por outros empreendimentos terceirizados escolhidos para gerir unidades de saúde.
Dois anos antes da Operação Apanthropia, o nome de Jacaré apareceu nas investigações da Operação Favorito, que posteriormente resultou na queda do ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel. Ele estaria associado a dois empresários presos por vender máscaras superfaturadas ao Estado.
De acordo com a denúncia, para desviar dinheiro dos cofres públicos, um dos presos teria utilizado uma conta bancária de uma empresa de Jacaré.
A Itatiaia procurou a assessoria de Clébio Jacaré, mas, até o momento, não obteve retorno. O espaço segue aberto.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



