Entenda como ocorreu a morte de homem nos EUA por agentes de imigração

Reconstituição dos fatos possibilita entender como foi o processo dos disparos contra Alex Pretti

Alex portava um celular na mão e não uma arma, como apontado pelos agentes

Agentes do Serviço Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) mataram Alex Jeffrey Pretti na manhã do último sábado (24) sob acusação de que ele portava uma arma de fogo. Após verificação das imagens, foi constatado que ele estava, na verdade, com o celular na mão.

Antes de ser morto, o homem aparece em uma imagem com o smartphone enquanto registrava a aproximação de dois civis de um agente federal que estava encostado em um carro preto. Nesse momento, o agente empurra uma das pessoas em direção a uma SUV branca.

Neste momento, Alex se infiltra entre o homem empurrado e o agente de imigração, que dispara um jato de spray de pimenta contra o homem (é o mesmo autor dos disparos posteriores). Nesse momento, Pretti segura o celular com uma mão e ergue a outra para se proteger do líquido.

Alex tenta ajudar o homem que está no chão, mas é cercado por um grupo de sete agentes federais que o seguram no asfalto e seguem com os disparos dos jatos de spray de pimenta contra o grupo de civis.

Após a imobilização de Alex, um dos agentes faz como se tirasse uma arma de sua proximidade e um outro saca a arma e aponta para as costas da vítima. Ajoelhado, o homem sofreu quatro tiros “à queima-roupa” de um dos oficiais.

Vários agentes se afastaram de Alex, que desmaiou. Outro agente, o mesmo que empurrou os civis para a rua e usou o spray de pimenta, sacou sua arma e atirou nele. O primeiro agente também disparou mais tiros. Juntos, eles dispararam mais seis tiros enquanto a vítima permanecia imóvel no chão. Foram disparados pelo menos 10 tiros no total da operação.

Versão contradiz relato dos agentes

O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) afirmou que o episódio começou depois que um homem se aproximou de agentes do ICE com uma arma de fogo e que um agente disparou “em legítima defesa”.

Outro incidente em Minneapolis neste mês, no qual um venezuelano foi baleado na perna por um agente federal, também foi caracterizado como “legítima defesa” pelo departamento.

O governador Tim Walz, democrata de Minnesota e opositor do presidente Donald Trump, contestou as alegações de autoridades federais de que Alex Pretti representava uma ameaça. Ele acusou “as pessoas mais poderosas do governo federal” de “inventarem histórias e divulgarem fotos”.

(Sob supervisão de Aline Campolina)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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