A sede do Partido Comunista de Cuba foi atacada na madrugada deste sábado (14) por manifestantes que protestavam contra os prolongados apagões e a escassez de alimentos em meio à crise energética causada por novas intervenções realizadas pelos Estados Unidos.
A situação deficitária da ilha se intensificou com a abrupta suspensão, em janeiro, das exportações de petróleo da Venezuela, após a
Os eventos aconteceram no município de Morón, na província de Ciego de Ávila (centro de Cuba), a 460 quilômetros de Havana. O “Invasor”, um dos veículos de comunicação estatais, noticiou que cinco pessoas foram presas em decorrência desses “atos de vandalismo”.
Imagens que circulam pelas redes sociais mostram a ação intensa dos manifestantes, com um área em chamas e a presença de possíveis sinalizadores nas mãos de pessoas que correm em direção a um prédio não identificado. Confira abaixo um registro da invasão:
WATCH | 🇨🇺 — Protesters set fire to local Communist Party headquarters in Morón amid anti-regime protests across Cuba. pic.twitter.com/lxyVS15dtU
— Emeka Gift Official (@EmekaGift100) March 14, 2026
“O que começou pacificamente, e após uma troca com as autoridades locais, degenerou em atos de vandalismo contra a sede do Comitê Municipal do Partido, onde um pequeno grupo de pessoas apedrejou a entrada do prédio e ateou fogo na rua usando móveis da recepção”, relatou o jornal.
“Relatórios preliminares, baseados em publicações nas redes sociais, indicaram que outros estabelecimentos também foram afetados, incluindo uma farmácia e uma loja da rede Tiendas Caribe”, completou.
Dois moradores de Morón, que falaram à Agência France-Presse por telefone sob condição de anonimato, disseram que o protesto foi massivo. “Havia muitas pessoas, elas realmente não aguentam mais”, disse um dos entrevistados, que explicou que eles têm apenas uma hora e meia de eletricidade por dia entre os apagões.
Ele acrescentou que, neste município, com aproximadamente 70.000 habitantes, “todos os hotéis, a principal fonte de emprego, permanecem fechados devido à crise de combustíveis e à queda no turismo”. O governo cubano anunciou um pacote de medidas emergenciais que inclui o fechamento temporário de alguns hotéis e a realocação de turistas em poucas instalações.
EUA aumentam sanções contra Cuba
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou no dia 29 de janeiro uma ordem executiva que ameaça impor tarifas aos países que vendem petróleo à Cuba.
Para Trump, a medida é considerada necessária para a “segurança nacional”, entretanto, Havana classificou como um “ato brutal de agressão”. A decisão aumenta a pressão sobre o governo cubano, que atualmente não consegue suprir metade de suas necessidades de energia elétrica.
“Denunciamos ao mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e seu povo, que há mais de 65 anos são submetidos ao mais prolongado e cruel bloqueio econômico jamais aplicado contra uma nação inteira”, escreveu na rede social X, antigo Twitter, o chanceler Bruno Rodríguez.
No início de fevereiro, Cuba anunciou um plano de contenção da crise, que inclui a proteção de serviços essenciais e o racionamento de combustível. Um dos países a se manifestar contra a medida foi a Rússia, por meio de um porta-voz de Moscou
“As táticas de asfixia empregadas pelos Estados Unidos estão, de fato, causando muitas dificuldades ao país. Estamos discutindo com nossos amigos cubanos possíveis maneiras de resolver esses problemas ou, pelo menos, de prestar toda a assistência possível”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
(Sob supervisão de Rayllan Oliveira)