Trump baixa o tom e anuncia colaboração com governador de Minnesota após morte de civis

Dois estadunidenses foram mortos por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) neste mês; Minneapolis tem sido palco de protestos contra operações anti-imigrações

Multidão se reuniu em Minesotta para protestar contra o crime chocante no último fim de semana

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, baixou o tom e anunciou uma ligação com o governador de Minnesota, Tim Walz, nesta segunda-feira (26). A ação do republicano acontece após a morte de dois cidadãos norte-americanos, por agentes federais do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), no último mês. Os dois possuem posições contrárias sobre as ações do ICE.

Em 7 de janeiro, Renee Good, de 37 anos, foi morta dentro do próprio carro durante uma ação da agência na cidade. No último sábado (24), Alex Pretti, também de 37, foi morto por agentes durante uma manifestação.

“O governador Tim Walz ligou para me pedir que trabalhemos conjuntamente. Foi uma ligação muito positiva e, na verdade, parece que estamos em sintonia. Vamos voltar a nos falar muito em breve”, escreveu Trump na própria plataforma, a Truth Social.

O republicano também anunciou o envio de seu “czar” anti-imigração ilegal, Tom Homan, para Minnesota, com a missão de informá-lo pessoalmente sobre a situação no estado.

Homan é um veterano do Departamento de Segurança Interna, encarregado da política de controle da fronteira sul e das deportações de imigrantes em situação irregular.

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Tensão entre Trump e Walz

Após a morte de Pretti no último dia 24, o governador de Minnesota, Tim Walz, fez duras críticas ao presidente estadunidense. Ele classificou a ação do ICE como “repugnante” e ainda declarou que Minnesota “não aguenta mais.”

No domingo (25), ele fez uma pergunta direta a Trump: “O que temos que fazer para que estes agentes federais saiam do nosso estado?”

“Deportamos dez vezes mais estrangeiros ilegais do Texas que de Minneapolis. Por que não há problemas no Texas? Porque no Texas temos a cooperação e o apoio de forças das ordem locais”, disse o procurador-geral adjunto, Todd Blanche.

Mesmo após a ligação telefônica entre Walz e Trump nesta segunda (26), o republicano mantém a pressão política em outra frente política em Minnesota, em pleno ano eleitoral.

“Separadamente, continua uma grande investigação sobre a enorme fraude de serviços sociais, de mais de 20 bilhões de dólares (R$ 105 bilhões), que ocorreu em Minnesota”, explicou.

Trump, que prometeu deportar milhões de migrantes sem documentos, defendeu os agentes que mataram Good e Pretti, assegurando que os dois pretendiam atacá-los.

Relembre os casos

Minneapolis, a cidade mais populosa de Minnesota, tem sido palco de protestos contra operações anti-imigrantes cada vez ais tensos.

Alex Pretti, de 37 anos, cidadão americano e enfermeiro, foi morto por um agente de imigração do Departamento de Segurança Interna no último sábado (24). Autoridades federais disseram que Pretti estava arbado durante e teria sacado a arma durante a abordagem. No entanto, a versão é contestada.

O jornal The New York Times analisou vídeos da abordagem que não mostram qualquer sinal de que ele tenha sacado a arma. Também não há indícios que agentes soubessem que Pretti estava armado. Ele tinha permissão para portar arma.

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A morte de Pretti é o segundo caso envolvendo operações de imigração em Minneapolis em menos de um mês. Em 7 de janeiro, Renee Good, também de 37 anos, foi morta.

A mulher era mãe de três filhos e foi baleada por um agente federal, dentro do próprio carro, durante uma ação da agência na cidade.

Os dois casos ocorrem em um momento de alta tensão migratória nos EUA, com o aumento de operações de deportação e protestos em diversas metrópoles.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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