O governo do estado de Queensland, na Austrália, anunciou nesse domingo que dez dingos da mesma matilha serão sacrificados depois da morte da turista canadense Piper James, na ilha de K’gari. A mulher de 19 anos foi encontrada morta na segunda-feira (19), sendo atacado por um bando da espécie.
O resultado da autópsia, divulgado nesse sábado (24), aponta “evidências físicas compatíveis com afogamento e ferimentos compatíveis com mordidas de dingo”. O ataque dos animais não teria causado a morte imediata, mas foram encontradas “extensas marcas de mordida de dingo pós-morte”. Piper pode ter entrado no mar para escapar dos animais.
Segundo informações do departamento de meio ambiente de Queensland, os guardas florestais passaram a semana monitorando de perto o grupo envolvido na morte da turista e constataram comportamento agressivo. Por isso, o ministro de meio ambiente do estado, Andrew Powell anunciou que os dingos serão “removidos e sacrificados de forma humanitária”.
Origem dos dingos, cães considerados sagrados na Austrália
Os dingos são os únicos cães nativos das Austrália e são considerados sagrados por povos nativos do país. A população da espécie, descendente dos lobos do sul da Ásia, é maior que a de humanos na ilha em que ocorreu o incidente. A população humana é de apenas 150 pessoas, enquanto a de dingos chega a cerca de 200 animais.
Apesar de serem sagrados, comumente os dingos são envenenados, presos em armadilhas e abatidos a tiros. Isso acontece por causa dos casos de ataques a humanos e por conta de episódios de ataques a animais nas fazendas do local.
O comitê consultivo do patrimônio mundial de K’gari (KWHAC) avalia que o turismo excessivo na ilha coloca cada vez mais dingos e pessoas em conflito. Alguns turistas alimentam os animais para atraí-los e tirar fotos.
Sue Sargent, presidente da instituição, diz que esta convivência aumenta o risco de ataques e ameaça “destruir” o balanço ecológico da ilha. Bradley Smith, professor sênior da Universidade Central de Queensland, reforça, argumentando que “a menos que se corrija a forma como os humanos na ilha se comportam em relação aos dingos, o problema nunca será resolvido. Portanto, isso (os ataques de dingos) vai acontecer novamente”, disse.