Amazônia desmatada tem 3 °C a mais na estação seca, aponta pesquisa

Áreas com menos de 60% de cobertura florestal apresentam clima de transição entre floresta úmida e savana

Perda da vegetação leva ao aumento da temperatura da superfície, à diminuição da evapotranspiração, além da redução da precipitação na estação seca

As regiões desmatadas da Amazônia, com cobertura florestal inferior a 60%, apresentam uma temperatura de superfície, em média, 3 °C maior durante a estação seca. O estudo publicado na revista Communications Earth & Environment, baseado em dados de satélites, mostra que esses locais têm clima parecido com áreas de transição entre floresta úmida e savana.

A perda da vegetação leva ao aumento da temperatura da superfície, à diminuição da evapotranspiração, além da redução da precipitação na estação seca e do número de dias de chuva. A pesquisa revelou que, em áreas desmatadas, há 11 dias a menos de chuva em relação às áreas com cobertura florestal superior a 80%.

“O estudo mostra que as florestas tropicais têm um impacto gigantesco no clima, com consequências para diversos setores da sociedade, tanto para o bem-estar das populações como para atividades econômicas”, explica o pesquisador Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que é um dos autores do estudo.

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A Amazônia brasileira perdeu 13% de área de vegetação nativa entre 1985 e 2024. Neste período, as pastagens passaram de 123 mil km² para 561 mil km², enquanto a área de agricultura foi de 1,8 mil km² para 79 mil km². Mais recentemente, a mineração vem ganhando relevância e chegou a 4.440 km² em 2024.

Apesar disso, os alertas de desmatamento apresentaram queda de aproximadamente 9% na Amazônia em 2025, na comparação com 2024. A área sob alerta foi de 3.817 km², redução de 8,7% em comparação com o ano passado. O número é o menor em oito anos. O ano de 2025 é o terceiro ano consecutivo de redução no bioma.

O estado com maior área de desmatamento na Amazônia foi Mato Grosso, responsável por quase metade do número total. Atingindo 1.497 km², o estado atingiu o terceiro maior índice da série histórica, iniciada em 2015. Em relação ao ano passado, houve um aumento de quase 60%.

Pará, com 979 km², e Amazonas, com 721 km², também se destacaram. Apesar disso, os dois estados apresentaram redução na área desmatada, com 36% e 9%, respectivamente.

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

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