O mundo entrou em uma “era de falência hídrica global”, segundo pesquisa do Instituto da Água, Ambiente e Saúde na Universidade da ONU (UNU). A avaliação se baseia em
“Em meio ao esgotamento crônico das águas subterrâneas, à superalocação de água, à degradação do solo e da terra, ao desmatamento e à poluição, todos agravados pelo aquecimento global, o relatório da ONU convida líderes mundiais a facilitar uma adaptação honesta e baseada na ciência a uma nova realidade”, diz nota publicada pela UNU.
A expressão “era de falência hídrica global” substitui o termo “crise hídrica”, que não traduz a gravidade de algumas situações. “Muitas regiões estão vivendo além de sua capacidade hídrica, e muitos sistemas hídricos essenciais já estão falidos”, afirma o autor principal do estudo, Kaveh Madani, que também é diretor do UNU.
O estudo traz dados que comprovam a urgência do problema. Metade dos lagos do mundo perderam água desde o início da década de 1990, sendo que 25% da humanidade depende diretamente desses reservatórios.
Além disso, metade da água potável do mundo vem de fontes subterrâneas. Enquanto isso, 40% da água para irrigação extraída de aquíferos está sendo drenada de forma constante, e 70% dos grandes aquíferos apresentam declínio a longo prazo. A pesquisa ainda destaca que 410 milhões de hectares de zonas úmidas naturais foram eliminados nos últimos 50 anos.