Prefeito de Congonhas aponta riscos ambientais e cobra ação após incidente da Vale

Cerca de 220 mil metros cúbicos de água vazaram da estrutura, atingiram cursos d’água e provocaram um aumento significativo na turbidez do rio que corta a cidade

Dique da Vale que se rompeu em Congonhas, no interior de Minas

Após o extravasamento de uma estrutura de mineração da Vale, entre Ouro Preto e Congonhas, o prefeito Anderson Cabido (PSB) alertou para os riscos ambientais provocados pelo incidente e cobrou ações mais rigorosas de monitoramento e fiscalização. Segundo ele, cerca de 220 mil metros cúbicos de água vazaram da estrutura, atingiram cursos d’água do município e provocaram um aumento significativo da turbidez do rio que atravessa a cidade.

Em entrevista à Itatiaia, o prefeito explicou que o episódio não envolveu o rompimento de uma barragem de rejeitos. “Não é uma barragem de rejeito, mas é um dique de contenção que, ao ser extravasado, não carreou o material que estava dentro da barragem, mas todo o material que havia adiante da estrutura”, afirmou.

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O prefeito de Congonhas contou que o grande volume de água liberado da estrutura carregou lama, resíduos de minério e materiais soltos presentes nas áreas de mineração. Esse material chegou a um córrego que abastece o Rio Goiabeiras, que deságua no Rio Maranhão, principal curso d’água que corta o município. “A gente já viu um aumento do volume da água do rio e um aumento significativo da turbidez, o que mostra que esse material, de fato, chegou lá”, disse.

O prefeito destacou que o impacto ambiental se soma a um histórico de degradação causado pela atividade mineral na região. “Infelizmente, é um rio que está quase morto, por conta da própria atividade mineral histórica. Episódios como esse continuam agravando um problema que se arrasta há décadas”, avaliou.

O volume de água liberado também chamou a atenção de mineradoras vizinhas. Segundo o prefeito, estruturas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) chegaram a ser pressionadas pela força da água.

Além do episódio, Anderson Cabido também pontuou a possibilidade de novas falhas nas estruturas de mineração e as dificuldades enfrentadas pelo município para monitorar a segurança da atividade extrativista na região. “Ainda que não seja uma barragem de rejeitos, trata-se de uma barragem de água que comportava um volume muito grande e que, na nossa avaliação, deveria estar sendo monitorada”, afirmou.

Ele também ressaltou a limitação do município para fiscalizar estruturas que ficam fora de seu território. “A gente precisa do governo do Estado, dos órgãos ambientais e do governo federal para fazer esse monitoramento”, cobrou o prefeito.

Posicionamentos

Em nota, a Vale tratou o rompimento do fique como “extravasamento de água com sedimentos” de uma cava da mina de Fábrica e que o fluxo alcançou algumas áreas de uma empresa.

“Como é praxe nessas situações, a Vale já comunicou os órgãos competentes e prioriza a proteção das pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas do extravasamento de água estão sendo apuradas”, posicionou-se a mineradora.

Ainda segundo a Vale, o “ocorrido não tem qualquer relação com as barragens da empresa na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana”.

Já a Prefeitura de Ouro Preto disse que “agentes da Secretaria de Segurança e Trânsito, juntamente com o Departamento de Defesa Civil, estão se deslocando até o local para uma averiguação in loco”.

Vale destacar que o rompimento aconteceu neste domingo (25), quando se completam sete anos do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A tragédia deixou 270 mortos, ou 272, se contadas as vítimas que estavam grávidas, e segue impactando profundamente a vida de famílias e cidades atingidas, que ainda cobram justiça, responsabilização criminal e avanços concretos na reparação.

Nota da Vale

A Vale esclarece que, na madrugada deste domingo (25), houve extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG). O fluxo alcançou algumas áreas de uma empresa. Pessoas e a comunidade da região não foram afetadas. Como é praxe nessas situações, a Vale já comunicou os órgãos competentes e prioriza a proteção das pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas do extravasamento de água estão sendo apuradas.

A Vale reforça que o ocorrido não tem qualquer relação com as barragens da empresa na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Nota da CSN Mineração

Na madrugada de hoje (25/1), houve uma ocorrência em uma cava pertencente à Mineradora Vale, o que provocou o alagamento de áreas na unidade Pires, em Ouro Preto, de propriedade da CSN Mineração, incluindo o Almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, área de embarque entre outras áreas e atividades. Importante ressaltar que todas as estruturas de contenção de sedimentos da CSN Mineração estão operando normalmente.

A CSN Mineração informa que, desde o primeiro momento, acompanha a situação de forma permanente e que as autoridades competentes já foram comunicadas.

Nota da Prefeitura de Ouro Preto

A Defesa Civil foi notificada sobre uma ocorrência em uma área rural do município, localizada em região distante tanto da sede quanto dos distritos.

Neste momento, agentes da Secretaria de Segurança e Trânsito, juntamente com o Departamento de Defesa Civil, estão se deslocando até o local para uma averiguação in loco.

Assim que tivermos informações mais precisas, retornaremos com novos esclarecimentos.

Nota do Governo de Minas

O Governo de Minas Gerais, por meio da Defesa Civil Estadual, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, da Polícia Militar de Minas Gerais e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável informa que está atuando com equipes, desde a manhã deste domingo (25/01), entre os municípios de Congonhas e Ouro Preto, na região conhecida como Mina de Fábrica, para verificar ocorrência envolvendo uma estrutura na área de atuação da empresa Vale, com possível impacto na CSN.

As equipes irão permanecer no local até que todos os esclarecimentos sejam prestados para conferência do que motivou tal episódio, bem como possíveis impactos ambientais, humanos e demais.

Reforçando seu compromisso com a transparência, o Governo de Minas seguirá informando imprensa e cidadãos tão logo tenha mais detalhes sobre o fato.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Formada, há 13 anos, em jornalismo, pela Faculdade Pitágoras BH. Pós-graduada em jornalismo digital e produção multimídia.

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