Sete anos após tragédia, Bombeiros encerram buscas em Brumadinho e entram em fase de desmobilização

Trabalho iniciado em janeiro de 2019 durou 2.558 dias e envolveu múltiplas estratégias de busca até a conclusão da vistoria do rejeito; Polícia Civil segue com a identificação das vítimas

Sete anos após tragédia, Bombeiros encerram buscas em Brumadinho e entram em fase de desmobilização

Após 2.558 dias desde 25 de janeiro de 2019, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais encerrou as buscas pelas vítimas da tragédia da Vale na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Também foi concluída a vistoria de todo o rejeito referente ao desastre. A operação, no entanto, segue em uma nova fase.

Neste domingo (25), completam-se sete anos do rompimento da barragem. A tragédia deixou 270 mortos — ou 272, se consideradas as vítimas que estavam grávidas — e segue impactando profundamente a vida de famílias e municípios atingidos, que ainda cobram justiça, responsabilização criminal e avanços concretos no processo de reparação.

Segundo o porta-voz da corporação, tenente Henrique Barcelos, ao longo dos anos foram adotadas diversas estratégias de busca, incluindo o salvamento de sobreviventes, varreduras superficiais, uso de cães farejadores e apoio aéreo.

Ao todo, foram empregados 65 cães de busca e registradas mais de 1.600 horas de voo com aeronaves. Atualmente, a operação chegou à oitava estratégia, com a implantação de estações de busca.

Uma das principais novidades é a conclusão da vistoria integral do rejeito. Segundo Barcelos, aproximadamente 11 milhões de metros cúbicos foram analisados, com o trabalho finalizado no dia 23 de dezembro de 2025.

Apesar do avanço, o tenente reforçou que não se trata do encerramento definitivo das buscas. Isso porque o trabalho da Polícia Civil segue em andamento na identificação dos segmentos encontrados.

Barcelos também ressaltou que a interlocução com os familiares das vítimas permanece ativa, por meio da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão.

“Nesta nova fase, temos um protocolo firmado com a Polícia Civil e com a empresa mineradora, para que as competências fiquem bem delimitadas”, concluiu.

Vítimas desaparecidas

A tragédia deixou 270 mortos, ou 272, se contadas as vítimas que estavam grávidas. A última vítima encontrada foi Maria Lourdes da Costa Bueno, de 59 anos. Ela foi identificada em fevereiro de 2025.

Maria de Lurdes era moradora de São José do Rio Pardo, no interior de São Paulo e natural da capital paulista. Ela estava passeando com a família para conhecer o Inhotim. Todos estavam hospedados na Pousada Nova Estância, destruída pela lama da barragem.

Com a tragédia, a pousada foi soterrada pela lama da barragem, resultando na morte de Maria de Lurdes, a de seu marido Adriano Ribeiro da Silva, seus dois enteados, Luiz e Camila Taliberti, e sua nora, Fernanda Damian de Almeida.

Maria de Lurdes da Costa Bueno tinha 59 anos na época do rompimento da Mina do Córrego do Feijão em 2019

Duas vítimas seguem desaparecidas

Até o momento, duas vítimas seguem desaparecidas: Tiago Tadeu e Natália Porto. Elas são chamadas de joias pela corporação. Segundo o Corpo de Bombeiros, a corporação encontrou 20 segmentos humanos em 2024. Em 2023, esse número foi de 18.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.
Kátia Pereira é jornalista formada pelo Uni-BH e tem especialização em História e Cultura Política pela UFMG. Está na Itatiaia desde 2002. Desde 2005 é titular do Jornal da Itatiaia 1ª Edição. Também apresenta o Jornal da Itatiaia Tarde, é editora e apresentadora do Palavra Aberta e apresenta conteúdo no canal da Itatiaia no Youtube. Recebeu o Troféu Mulher Imprensa na categoria Âncora de Rádio. Tem passagens por Record TV Minas, Super Notícias/O Tempo e assessoria na Assembleia Legislativa

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