Negros correm o dobro do risco de serem mortos no Brasil, diz estudo da USP

Pesquisa divulgada em revista científica aponta regiões com maior incidência de casos no país

Pessoas negras correm o dobro de risco de sofrer um homicídio em relação a pessoas brancas

Pessoas negras correm até 49%, ou 2,3 vezes mais, chances de serem mortas em relação às pessoas brancas no Brasil, segundo aponta um estudo da Universidade de São Paulo e publicado na revista científica “Ciência e Saúde”.

As informações foram extraídas a partir de dados do último recenseamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em cruzamento com números do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

O estudo realizou uma análise espacial que considerou as diferenças regionais e raciais nos homicídios cometidos no Brasil. Os pesquisadores utilizaram o conceito de hot e cold spots, que trata de identificar quais os locais com taxas de homicídio mais recorrentes (hot, do inglês, quente) e com taxas menores (cold, do inglês, frio) a fim de estabelecer padrões comparáveis.

Os resultados apontam uma concentração mais intensa da violência na região Nordeste, enquanto municípios das regiões Sul e Sudeste apresentam, em geral, menores índices de homicídios.

De acordo com os dados analisados, o perfil predominante das vítimas é formado por homens jovens, negros, solteiros e com baixa escolaridade. Nas áreas classificadas como hot spots, 9 em cada 10 pessoas mortas são pretas ou pardas.

Uma área localizada entre os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte chamou a atenção dos pesquisadores por não apresentar dados estatísticos claros em relação ao número de mortes, apesar de estar cercada por municípios com altos índices de violência.

Para Rildo Pinto, um dos pesquisadores responsáveis pela publicação, em entrevista ao portal G1, uma das hipóteses para essa dificuldade é a subnotificação de óbitos, conhecida como homicídio oculto, que não foi incluída no estudo.

(Sob supervisão de Lucas Borges)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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