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Advogado casado com delegada preso com viatura se passou por policial e tem registros de ameaça

Renan Rachid Silva Vieira, preso nessa terça-feira (10) por utilizar uma viatura descaracterizada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), aparece como autor em várias ocorrências

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Renan Rachid Silva Vieira foi preso por uso indevido de viatura da Polícia Civil e tem histórico de ocorrências
Renan Rachid Silva Vieira foi preso por uso indevido de viatura da Polícia Civil e tem histórico de ocorrências • Facebook/reprodução

Renan Rachid Silva Vieira, preso nessa terça-feira (10) por utilizar uma viatura descaracterizada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), aparece como autor em várias ocorrências. A Itatiaia teve acesso a sete registros de crimes como estelionato, ameaça, agiotagem e intimidação de vítimas.

Renan é casado com uma delegada da Polícia Civil. Em uma das ocorrências, de 2019, uma pessoa relata ter sido ameaçada por um funcionário de Renan devido a um desacerto comercial. Segundo a denúncia, Renan se passava por policial civil e usava carteira funcional falsa para intimidar pessoas.

Em outro registro, de 2024, uma pessoa relatou ter sido vítima de agiotagem, com cobrança de juros abusivos de 77% ao mês. A vítima seria um idoso de 73 anos. A ocorrência foi feita pelo filho do idoso. Ele relatou que Renan ameaçou invadir a loja da família com homens armados e caminhões para retirar mercadorias, além de ameaças contra os filhos da vítima.

Nas redes sociais, Renan informa ter uma empresa de finanças, que desconta cheques e duplicatas e oferece crédito para empresas, profissionais liberais e autônomos.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil por meio de nota informou que apura as ocorrências citadas. Segundo a corporação, em casos de crimes cuja investigação depende de representação formal da vítima, é necessário que as pessoas procurem uma delegacia para registrar oficialmente a denúncia, conforme prevê o Código de Processo Penal do Brasil.

“A instituição esclarece que, nos casos de crimes cuja persecução penal é condicionada à representação, é necessário que as vítimas procurem a unidade policial para formalizar a devida representação, conforme prevê o artigo 24 do Código de Processo Penal”, informou a polícia.

A corporação também destacou que todos os fatos comunicados às autoridades policiais são analisados e, quando há elementos legais suficientes, são adotadas as medidas investigativas cabíveis.

A Itatiaia também entrou em contato com a delegada sobre o uso indevido da viatura pelo marido e com a advogada responsável pela defesa de Renan Rachid Silva Vieira, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Viatura

Renan foi detido com a viatura na tarde dessa terça-feira (10), na Avenida Antônio Carlos, na Região da Pampulha. Conforme o Boletim de Ocorrência (BO), a prisão ocorreu durante uma blitz realizada pela Corregedoria da PCMG em uma faixa exclusiva destinada ao transporte coletivo e a veículos oficiais da avenida. Durante a abordagem, o condutor se apresentou como advogado e exibiu a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A operação foi realizada após denúncias anônimas recebidas pelo órgão e pela Ouvidoria do Estado de Minas Gerais. As informações apontavam que o advogado estaria usando indevidamente uma viatura descaracterizada da corporação para deslocamentos pessoais. Após diligências preliminares, os investigadores identificaram indícios que sustentavam a denúncia.

Ação com a delegada

Uma equipe da Corregedoria também foi até a residência da delegada apontada nas denúncias como responsável pela viatura. Ela foi informada sobre o ocorrido e também levada à unidade policial para prestar esclarecimentos. O caso foi encaminhado à autoridade policial responsável, que irá avaliar as medidas de polícia judiciária cabíveis.

Por meio de nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que o homem foi preso pelo crime de peculato, sendo encaminhado ao sistema prisional. A delegada foi ouvida e também foi presa, sendo conduzida à casa de custódia.

“A PCMG ressalta que não coaduna com desvios e condutas de seus servidores”, acrescentou.

Histórico de ocorrências envolvendo Renan Rachid Silva Vieira

  • 06/06/2019 (Bairro Copacabana): Registro de ameaças de morte proferidas por Renan e outra pessoa. A vítima relatou que as ameaças surgiram após um ex-funcionário falsificar um cheque de R$ 6 mil e repassá-lo aos autores.
  • 09/07/2019 (Bairro Cidade Industrial): A vítima relatou ter sido ameaçada de morte por um funcionário de Renan, devido a um desacerto comercial. Segundo o depoimento, Renan se passaria por policial civil, utilizando uma carteira funcional falsa para intimidar pessoas, embora não pertença à instituição.
  • 30/10/2023 (Bairro Mantiqueira): Um homem relatou bloqueio judicial em sua conta bancária devido a um processo de execução movido por Renan. Ele afirma que a dívida era de sua esposa e que o valor da nota promissória foi falsificado por terceiros, constando um valor três vezes superior à dívida real.
  • 31/10/2023 (Bairro Mantiqueira): A esposa do homem confirmou que possuía operações de troca de cheques com a empresa de Renan. Ela declarou que Renan convenceu seu marido a assinar uma nota promissória apenas para aumentar o limite de crédito, mas depois usou o documento para processá-lo, com valores alterados e abusivos.
  • 17/01/2024 (Bairro Europa): Outro homem denunciou Renan por práticas de agiotagem com juros abusivos (7% ao mês). O relato detalha graves ameaças contra o pai da vítima, um idoso de 73 anos, e promessas de invasão da loja com homens armados e caminhões para retirar mercadorias, além de ameaças contra os filhos da vítima.
  • 14/11/2024 (Bairro Santa Branca): O idoso e o filho registraram que Renan se recusa a devolver dois cheques que já foram quitados em 2022. Apesar de diversas promessas de devolução ou declaração de quitação, o compromisso não foi cumprido.
  • 08/01/2026 (Lagoa Santa): Uma mulher denunciou Renan por irregularidades na venda de um imóvel em um condomínio. Após pagar R$ 50 mil de entrada, ela descobriu que o imóvel estava penhorado. Renan teria passado a pressioná-la insistentemente para depositar mais R$ 800 mil em sua conta pessoal e se recusou a devolver o sinal após a desistência do negócio.
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Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.