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Justiça marca júri popular de dono de Porshe, réu por morte de motorista de app em SP

Fernando Sastre de Andrade Filho dirigia um Porsche azul, que causou um acidente que matou o motorista de aplicativo e deixou outro ferido em 31 de março de 2024

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Justiça marca júri popular de dono de Porshe, réu por morte de motorista de app em SP
Sastre Filho já teve oito pedidos de liberdade negados • Reprodução

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) agendou para o dia 29 de outubro o júri popular do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho. Ele é acusado de matar o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em março de 2024, ao colidir seu Porsche azul contra o veículo da vítima no Tatuapé, Zona Leste da capital.

Atualmente detido em uma unidade prisional em Potim, no interior paulista, Sastre Filho já teve oito pedidos de liberdade negados. Ele responde por homicídio qualificado (por perigo comum e dolo eventual) e lesão corporal gravíssima.

A defesa do empresário tentou converter a prisão preventiva em medidas cautelares, mas a juíza Fernanda Perez Jacomini manteve a detenção. A magistrada destacou que há indícios suficientes de que o réu dirigia sob influência de álcool e em velocidade incompatível com a via, representando um "risco concreto de reiteração delitiva".

O advogado Jonas Marzagão contesta a manutenção da prisão, alegando que seu cliente é o único motorista em casos similares que permanece preso em São Paulo. "Fernando não fez o bafômetro porque a polícia não tinha o aparelho no momento. Ele permaneceu no local até ser liberado pelas autoridades", afirmou a defesa, justificando ainda que o empresário não prestou socorro direto por estar sendo retirado do carro enquanto terceiros já acionavam o resgate.

Vídeo mostra o acidente:

Alta velocidade e embriaguez

O Ministério Público sustenta que Sastre Filho assumiu o risco de matar ao dirigir a 136 km/h em um trecho onde o limite é de 50 km/h. Laudos do Instituto de Criminalística confirmam a velocidade excessiva.

Embora o empresário negue ter bebido, o estudante de medicina Marcus Vinicius Machado Rocha — amigo do réu que estava no banco do passageiro e ficou gravemente ferido — confirmou em depoimento que Fernando consumiu álcool antes de assumir o volante.

Empresário bate, mata motorista de aplicativo e foge

Após o acidente, a mãe do motorista foi até o local e afirmou que levaria o filho a um hospital no Ibirapuera porque ele estava com um ferimento na boca. Os militares acabaram liberando Fernando e ele foi embora com a mãe. Porém, ao chegarem no hospital para colher a versão do motorista e fazer o teste do bafômetro, eles foram informados que o homem não havia dado entrada em nenhum hospital da rede. O motorista de aplicativo que pilotava o Renault, Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, chegou a ser socorrido pelos bombeiros com um quadro de parada cardiorrespiratória, mas morreu logo depois de dar entrada em um hospital de Tatuapé. Ornaldo estava sozinho no momento do acidente.

Fernando se apresentou à polícia 38h após o acidente e pagou fiança de R$ 500 mil. Ele teve prisão preventiva decretada em 6 de maio de 2024.

O caso ganhou repercussão nacional devido ao valor do veículo — um Porsche 911 Carrera GTS avaliado em mais de R$ 1 milhão — e às imagens das câmeras corporais dos PMs, que registraram o momento em que a mãe do empresário o retira do local sem que o teste do bafômetro fosse realizado.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde