Belo Horizonte
Itatiaia

Pela 8ª vez Justiça nega liberdade de condutor de Porsche que matou motorista de app em SP

Fernando Sastre de Andrade Filho é acusado de dirigir a 156 km/h em via de 50 km/h; empresário é acusado de matar motorista de aplicativo em 2024

Por
Pela 8ª vez Justiça nega liberdade de condutor de Porsche que matou motorista de app em SP
Pela 8ª vez Justiça nega liberdade de condutor de Porsche que matou motorista de app em SP • Foto: CNN | Reprodução | Redes Sociais

O empresário que dirigia um Porsche e matou um motorista de aplicativo em São Paulo tentou, pela oitava vez, um recurso para deixar a cadeia. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão preventiva do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho.

Ele é réu pela morte de Ornaldo da Silva Viana e pelos ferimentos causados em Marcus Vinícius Machado Rocha, em março de 2024. Na época, câmeras de segurança flagraram o momento do acidente entre um Porsche 911 Carrera GTS e um Renault Sandero, em uma avenida do bairro de Tatuapé, na zona Leste de São Paulo.

A decisão foi da Quinta Turma do STJ, que acompanhou o voto da relatora, ministra Maria Marluce Caldas. Segundo ela, a prisão é necessária para garantir o andamento do processo e evitar novas infrações, diante do histórico de comportamento do acusado.

Andrade Filho está preso desde maio de 2024 e foi denunciado por homicídio doloso qualificado e lesão corporal gravíssima. De acordo com o inquérito, ele conduzia um Porsche a cerca de 156 km/h em um trecho do bairro do Tatuapé, onde a velocidade máxima permitida é de 50 km/h. Ao tentar uma ultrapassagem, o carro do empresário bateu na traseira do veículo de Ornaldo Viana. O impacto matou o motorista e feriu o passageiro do Porsche, amigo de Fernando Andrade.

Contato com testemunha e descumprimento de medidas

A relatora destacou que, embora o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) tenha inicialmente imposto medidas cautelares alternativas, elas foram descumpridas. Segundo o tribunal paulista, há indícios de que o empresário manteve contato com uma testemunha, o que teria gerado versões conflitantes e comprometido o andamento da investigação.

Entre os fatores que sustentam a prisão, estão também o laudo que comprovou o excesso de velocidade, o histórico de infrações graves de trânsito e vídeos que indicam consumo de álcool na noite do acidente.

Empresário bate, mata motorista de aplicativo e foge

O empresário e estudante Fernando Sastre de Andrade Filho, de 24 anos, bateu um Porsche avaliado em R$ 1 milhão em um Renault Sandero na madrugada do domingo 31, de março de 2024, em uma avenida de Tatuapé, na zona Leste de São Paulo. Após o acidente, a mãe do motorista foi até o local e afirmou que levaria o filho a um hospital no Ibirapuera porque ele estava com um ferimento na boca.

Os militares acabaram liberando Fernando e ele foi embora com a mãe. Porém, ao chegarem no hospital para colher a versão do motorista e fazer o teste do bafômetro, eles foram informados que o homem não havia dado entrada em nenhum hospital da rede. O motorista de aplicativo que pilotava o Renault, Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, chegou a ser socorrido pelos bombeiros com um quadro de parada cardiorrespiratória, mas morreu logo depois de dar entrada em um hospital de Tatuapé.

Ornaldo estava sozinho no momento do acidente. A Polícia Militar tentou entrar em contato com o empresário que pilotava o Porsche pelo telefone, mas na época não obteve sucesso.

Risco de novas infrações

Para a ministra Maria Marluce Caldas, o perfil do empresário demonstra “manifesto desrespeito pelas normas de convivência social”, o que representa risco de reiteração de condutas perigosas. Ela afirmou que a simples suspensão do direito de dirigir não seria suficiente para impedir que Andrade Filho voltasse a colocar outras pessoas em risco.

A ministra lembrou ainda que o Fernando Andrade recuperou o direito de dirigir poucos dias antes do acidente e, mesmo alertado pela namorada e por amigos sobre o perigo de conduzir o carro após beber, decidiu dirigir em velocidade três vezes superior ao limite da via.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.