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Juiz enquadra MC Ryan na Lei Antifacção e aponta ligação com PCC e CV

Magistrado afirma que os alvos são descritos pelos investigadores como integrantes de “organizações criminosas ultraviolentas”

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MC Ryan SP já atingiu o topo do Spotify Brasil • Reprodução/Instagram

O juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Criminal Federal de Santos, enquadrou o funkeiro MC Ryan SP e demais investigados da Operação Narco Fluxo na chamada Lei Antifacção, a pedido da Polícia Federal.

Na decisão, o magistrado afirma que os alvos são descritos pelos investigadores como integrantes de “organizações criminosas ultraviolentas”, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), apontadas como as maiores facções do País.

Com a aplicação da Lei Antifacção, MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, e o influenciador Chrys Dias passam a cumprir prisão provisória por 90 dias. Eles estão detidos desde 15 de abril, quando a operação foi deflagrada e prendeu 33 suspeitos de lavar R$ 1,6 bilhão por meio de rifas e apostas ilegais.

A defesa de MC Ryan SP informou que não comentaria o enquadramento. Os demais investigados foram procurados, mas não haviam se manifestado até a publicação deste texto. Em vigor desde março, a Lei Antifacção prevê medidas mais rigorosas contra o crime organizado, incluindo penas que podem chegar a 40 anos de prisão em regime de segurança máxima e o bloqueio definitivo de bens, mecanismo conhecido como “asfixiamento financeiro”.

Na decisão, o juiz aponta “indícios consistentes” de ligação entre os investigados e organizações criminosas de atuação nacional e internacional. O prazo para eventual denúncia do Ministério Público Federal termina nesta quarta-feira (6), e a Procuradoria já se manifestou favoravelmente ao enquadramento na nova lei.

A decisão também menciona a prisão de João Vitor da Costa Minervino, realizada pela Polícia Civil do Ceará em Fortaleza, por suposta promoção do Comando Vermelho. Segundo o magistrado, há indícios de ligação indireta entre o caso e investigados da operação.

De acordo com a Polícia Federal, MC Ryan SP é apontado como líder de uma estrutura voltada à lavagem de dinheiro do crime organizado, com uso de plataformas de apostas, rifas ilegais e empresas ligadas ao setor musical. A defesa do artista sustenta que os valores movimentados têm origem lícita e são devidamente declarados.

As investigações também indicam a atuação do contador Rodrigo de Paula Morgado, apontado como operador financeiro ligado ao PCC, que teria prestado serviços ao funkeiro, incluindo ocultação patrimonial e gestão de recursos. Especialistas avaliam que a decisão pode representar uma das primeiras aplicações práticas da Lei Antifacção no país.

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