Prefeito de Congonhas afirma que extravasamento de sump causou ‘dano ambiental’

Anderson Cabido (PSB) contraria Vale ao afirmar que água que atingiu rio Goiabeiras tem ‘todo tipo de minério’

Em vídeo publicado nas redes sociais, prefeito de Congonhas mostra sump onde houve extravasamento com barragem ao fundo

Anderson Cabido (PSB), prefeito de Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, afirma que “houve danos ambientais” causados pelo extravasamento de sump da Vale na cidade, nesse domingo (25). Segundo ele, o Rio Goiabeiras foi atingido e há perspectiva de que o Rio Maranhão também seja.

“Foram mais de 200 mil metros cúbicos de água que saíram lavando todo tipo de minério, de materiais ao longo do caminho, alcançando então o nosso Rio Goiabeiras, com perspectiva de alcançar o Rio Maranhão”, disse o mandatário em vídeo publicado no canal de Instagram da Prefeitura.

Anderson Cabido informou que a população não sofreu danos pessoais, mas ressalta que “o dano ambiental foi muito grande”. O prefeito diz que a Defesa Civil de Congonhas e a equipe de Meio Ambiente da prefeitura “vem atuando para poder acompanhar e monitorar todo esse processo”.

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores do Brasil (AMIG Brasil) se alinhou às Prefeituras de Congonhas e Ouro Preto e cobrou “ações enérgicas em resposta aos graves incidentes ocorridos em estruturas da mineradora Vale no dia 25 de janeiro de 2026".

A associação alertou para o grande volume de água e sedimentos despejados nos Rios Goiabeiras e Maranhão, em Congonhas.

“Em menos de 24 horas, duas estruturas romperam, lançando um grande volume de água e sedimentos nos rios da região. O primeiro, na Mina de Fábrica (Ouro Preto), despejou cerca de 263 mil metros cúbicos de material no Rio Goiabeiras e, subsequentemente, no Rio Maranhão. O segundo, na Mina Viga (Congonhas), impactou novamente o Rio Maranhão, que é um afluente do Rio Paraopeba, tristemente marcado pela tragédia de Brumadinho”, disse a AMIG Brasil em nota.

Vale tem alvarás de funcionamento suspensos

Em função dos dois incidentes e do atraso da Vale no relato das ocorrências, a Prefeitura de Congonhas suspendeu os alvarás de funcionamento da Vale no município.

“A Prefeitura Municipal de Congonhas, no exercício de seu poder de polícia ambiental e no âmbito de suas atribuições legais, vem, por meio deste, DETERMINAR a adoção imediata de medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental, bem como INFORMAR A SUSPENSÃO DOS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO DAS ATIVIDADES ASSOCIADAS, em razão dos recentes rompimentos de estruturas vinculadas a sumps ocorridos nas Minas de Fábrica e de Viga”, informou.

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Vice-presidente Executivo Técnico da Vale nega contaminação nos rios

Em entrevista à Itatiaia nesta segunda-feira (26), Rafael Bittar, vice-presidente Executivo Técnico da Vale, afirmou que a água que causou o extravasamento do sump não era contaminada com rejeitos de mineração. Ele também destacou que não há emergências nas estruturas da empresa.

“Não houve, é importante frisar, nenhum transporte de rejeito de mineração em nenhuma dessas duas ocorrências”, afirmou Rafael Bittar, referindo-se ao extravasamento nos sumps das Minas de Fábrica e Viga. “São áreas de mineração, mas não há nenhum contaminante transportado para os rios”, insistiu o representante da mineradora.

O vice-presidente Executivo Técnico da Vale também garantiu que “as pessoas estão seguras” e que todas as estruturas estão estáveis. “Não há nenhuma anomalia. Não houve nenhuma alteração de nível de emergência. Todas têm um plano de atendimento e emergência que, discutido com todas as autoridades”, destacou.

Duas ocorrências em menos de 24 horas

Duas estruturas da Vale na Região Central de Minas Gerais registraram ocorrências de extravasamento nesse domingo (25).

O primeiro caso foi durante a madrugada na mina de Fábrica, em Ouro Preto. O líquido alagou as dependências da CSN Mineração.

Horas depois um segundo extravasamento de água com sedimentos registrado na Mina de Viga, localizada entre a Plataforma e o Esmeril, em Congonhas.

Assista abaixo:

Nota da Vale

A Vale esclarece que os extravasamentos de água identificados em Congonhas e Ouro Preto no domingo (25) foram contidos. Ninguém ficou ferido e a população e as comunidades próximas não foram afetadas.

Nenhuma das duas situações tem qualquer relação com as barragens da Vale na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e são monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana. A Vale esclarece, ainda, que não houve carreamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos (terra).

A Vale realiza periodicamente ações preventivas de inspeção e manutenção de suas estruturas, que são seguras. A empresa reforça esses procedimentos durante o intenso período chuvoso. As causas dos dois extravasamentos estão sendo apuradas e os aprendizados extraídos serão imediatamente incorporados aos planos de chuva da companhia. A Vale segue à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

Nota da Prefeitura de Congonhas

“Um extravasamento de sump foi registrado na mina Viga, da empresa Vale, localizada entre a Plataforma e o Esmeril, em Congonhas, neste domingo (25). A ocorrência foi acompanhada pela Defesa Civil, que constatou o extravasamento de água para o rio Maranhão.

De acordo com as informações apuradas, não houve prejuízos ao abastecimento de água, bloqueio de vias nem comunidades atingidas. O impacto registrado é de natureza ambiental.

A Prefeitura de Congonhas lamenta o ocorrido, especialmente por se tratar da segunda ocorrência em menos de 24 horas. Nesta segunda-feira (26), a Defesa Civil permanece no local realizando o monitoramento da situação.

No exercício de seu poder de polícia ambiental e no âmbito de suas atribuições legais, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas determinou a adoção imediata de medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental, bem como informou a suspensão dos alvarás de funcionamento das atividades associadas, em razão dos recentes rompimentos de estruturas vinculadas a sumps ocorridos nas minas de Fábrica e de Viga.

Novas informações serão divulgadas assim que houver atualização”.

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.
Jornalista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia, escreve para Cidades, Brasil e Mundo.

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