Para cada US$ 1 investido na natureza, US$ 30 financiam sua destruição, diz ONU

Subsídios a combustíveis fósseis lideram gastos prejudiciais ao meio ambiente, revela relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma)

Somente US$ 220 bilhões, 3% do total investido em setores destrutivos, foram destinados ao financiamento de soluções baseadas na natureza

Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado nessa quinta-feira (22) revelou que, para cada US$ 1 investido na proteção da natureza no mundo, outros US$ 30 são direcionados a atividades que contribuem para sua degradação. Esses valores englobam finanças públicas e privadas no mundo.

Os dados do relatório foram sintetizados a partir de índices registrados em 2023. A pesquisa mostra que US$ 7,3 trilhões em fluxos de financiamento tiveram impacto negativo sobre o meio ambiente. Dessa quantia, US$ 4,9 trilhões foram provenientes de fontes privadas e US$ 2,4 trilhões em subsídios públicos.

Somente US$ 220 bilhões, 3% do total investido em setores destrutivos, foram destinados ao financiamento de soluções baseadas na natureza (SbN). Essas iniciativas incluem ações para proteger, restaurar e utilizar de forma sustentável os ecossistemas. Do total aplicado nesse tipo de solução, US$ 197 bilhões (90%) vieram de recursos públicos.

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Atualmente, os setores com impacto ambiental negativo que mais recebem investimentos privados são os serviços públicos, como saneamento e eletricidade, que somam US$ 1,58 trilhão, e a indústria, com US$ 1,38 trilhão. Na sequência aparecem energia (US$ 790 bilhões), matérias-primas (US$ 740 bilhões) e bens de consumo (US$ 430 bilhões).

Já entre os subsídios públicos, os combustíveis fósseis são os principais investimentos, totalizando US$ 1,13 trilhão. Em seguida vem a agricultura (US$ 410 bilhões), uso comercial da água (US$ 400 bilhões), transporte (US$ 180 bilhões), construção (US$ 150 bilhões), pesca (US$ 60 bilhões), mineração não energética (US$ 40 bilhões) e plástico (US$ 30 bilhões).

Entre as iniciativas benéficas para o meio ambiente, a maior parte dos investimentos vêm do setor público, sendo que 75% estão direcionados à biodiversidade (US$ 82 bilhões) e à agricultura, silvicultura e pesca sustentáveis (US$ 66 bilhões). O setor privado contribui com US$ 23,4 bilhões, dos quais US$ 7 bilhões foram destinados a créditos de biodiversidade e US$ 4 bilhões a pagamentos por serviços ambientais.

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

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