EUA anunciam envio de porta-aviões ao Oriente Médio em meio a negociações com o Irã

Presidente dos Estados Unidos ameaça invadir o país desde o início dos protestos; Teerã alertou que irá atacar caso força militar entre em águas iranianas

Líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O Comando Central (Centcom), responsável pelas operações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio anunciou a chegada de uma força militar na região. A medida acontece ao mesmo tempo que Donald Trump afirma que o Irã busca negociar com os EUA.

O Centcom não revelou a localização exata do porta-aviões Abraham Lincoln, mas explicou que foi levado para a área com o objetivo de “promover a segurança e estabilidade regionais.”

A República Islâmica do Irã vivencia uma grande onda de protestos desde o final de dezembro do ano passado. Os protestos foram motivados pela crise econômica do país, mas logo evoluiu para um movimento massivo contra o regime teocrático, estabelecido desde a revolução de 1979.

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Teerã declarou que existe um canal de comunicação aberto entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o enviado estadunidense, Steve Witkoff, apesar da ausência de relações diplomáticas entre os dois países inimigos.

Por outro lado, o jornal conservador Hamshahri citou o porta-voz da Guarda Revolucionária, Mohammad Ali Naini, dizendo que “se o porta-aviões deles cometer um erro e entrar em águas territoriais iranianas, será atacado.”

Governo do Irã ‘enfraquecido’

Em entrevista ao site de notícias Axios, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos têm uma “Marinha poderosa perto do Irã. Maior do que a da Venezuela”. A declaração aconteceu semanas depois da captura do presidente Nicolás Maduro, em meio à ameaças estadunidenses de invadir o país do Oriente Médio, na época, caso o Terrã registrasse mortes nas manifestações.

Ao mesmo tempo, o republicano afirmou que membros da República Islâmica do Irã tentam negociar com Washington. “Eles querem fazer um acordo. Eu sei disso. Já ligaram várias vezes. Querem conversar”, disse.

Analistas afirmam que as opções de Donald Trump sobre o Irã incluem ataques a instalações militares ou ataques direcionados ao sistema clerical que governa o país há quase 50 anos.

O jornal The New York Times noticiou que o presidente dos EUA recebeu relatórios “indicando que a posição do governo iraniano está enfraquecendo” e que o controle do poder “está no ponto mais frágil” desde a queda do último xá.

O senador norte-americano, Lindsey Granham, disse ao jornal que conversou com Trump nos últimos dias sobre o Irã e que “o objetivo é acabar com o regime”. “Eles podem parar de matá-los [os manifestantes] hoje, mas se ainda estiverem no poder no mês que vem, vão matá-los no mês que vem”, acrescentou.

Protestos no Irã

Manifestantes, opositores da República Islâmica do Irã, vão às ruas de várias cidades do país desde o dia 28 de dezembro de 2025. Inicialmente, os protestos foram motivados pelo aumento dos preços e colapso da moeda local.

As manifestações começaram a ganhar grandes proporções, registrando mais de três mil mortos nas últimas três semanas, segundo o Iran Human Rights (IHRNGO), grupo de direitos humanos com sede na Noruega.

Os protestos representam um desafio para a República Islâmica, que está no poder desde 1979. Aos gritos de “morte ao ditador”, milhares de iranianos pedem nas ruas de Teerã e de outras cidades o fim do sistema teocrático xiita, comandado pelo aiatolá Ali Khamenei.

Esse é o maior movimento de manifestação no Irã desde a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente ter violado as normas de vestuário para mulheres, em 2022.

* Com informações da AFP.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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