Irã restabelece parcialmente acesso à internet após 10 dias, diz ONG

Sinal havia sido bloqueado em meio às manifestações que acontecem no país; comunicação por telefone e mensagens de texto voltaram ao normal nos últimos dias

Esta captura de vídeo, feita em 13 de janeiro de 2026 a partir de imagens geradas por usuários e publicadas em redes sociais em 10 de janeiro de 2026, mostra confrontos em Mashhad, no nordeste do Irã

O acesso à internet no Irã foi parcialmente restabelecido neste domingo (18), anunciou a organização Netblocks, uma ONG especializada em segurança cibernética. O sinal havia sido bloqueado no último dia 8, em meio às manifestações contra o governo iraniano.

Em uma publicação nas redes sociais, a Netblocks afirmou que localizou um retorno de alguns serviços online, como o Google.

“Os dados de tráfego indicam um retorno significativo de alguns serviços online, como Google, o que sugere que foi habilitado um acesso com alto nível de filtragem, o que corrobora os relatos dos usuários de uma restauração parcial”, informou a organização.

Antes do anúncio da Netblocks, a agência de notícias iraniana Tasnim divulgou que autoridades avaliavam reestabelecer o acesso à internet “de forma progressiva”. A comunicação por telefone voltou ao normal na última terça-feira (13) e, as mensagens de texto, no sábado (18).

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Jornalistas da AFP em Teerã conseguiram se conectar à internet neste domingo (18). Cidadãos iranianos afirmaram que conseguiram usar redes sociais, como o WhatsApp.

A volta parcial do serviço de internet e uma possível diminuição dos protestos acontecem ao mesmo tempo. As manifestações começaram em 28 de dezembro do ano passado, inicialmente contra o alto custo de vida. Porém, a mobilização se voltou contra o regime autocrático no poder desde a revolução de 1979.

Os protestos enfrentaram grandes repressões. Pelo menos 3.428 manifestantes morreram nas últimas três semanas, segundo a Iran Human Rights (IHR). A organização confirmou os casos por meio de fontes do sistema de saúde da república islâmica, testemunhos e fontes independentes.

Porém, a ONG afirma que o número real de mortos pode ser muito maior. Outras estimativas elevam este balanço para mais de 5 mil e, inclusive 20 mil. Mas, o bloqueio da internet dificulta a verificação independente, segundo a IHR.

* Com informações da AFP.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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