Irã recua e diz que Erfan Soltani não será executado

Judiciário do país afirmou que ele foi preso e formalmente acusado; caso seja condenado, ficará na prisão

Manifestante iraniano será executado nesta quarta-feira (14)

O Irã recuou e afirmou que o manifestante Erfan Soltani não foi condenado à morte, informou a agência estatal iraniana IRIB.

Vários grupos de direitos humanos afirmaram que autoridades do país planejavam executar o jovem de 26 anos. O Departamento de Estado dos Estados Unidos e a família do jovem também reiteraram a notícia.

O Centro de Mídia do Judiciário do Irã, porém, rejeitou a informação, dizendo que eram “notícias fabricadas”. Autoridades iranianas afirmaram que Soltani foi preso no dia 10 de janeiro e formalmente acusado de “conspiração e conspiração contra a segurança interna do país”, além de “atividades de propaganda contra o regime”.

Ele está na Prisão Central de Karaj, a 42 km de Teerã. Segundo o judiciário do Irã, caso seja condenado, a pena será de prisão.

“Se as acusações forem comprovadas pelo Ministério Público e um veredicto legal for emitido por um tribunal competente, a pena prevista em lei será a prisão”, afirmou.

“Fundamentalmente, a pena de morte não existe na lei para tais acusações”, acrescentou.

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Quem é Erfan Soltani?

Erfan Soltani é um trabalhador na indústria de vestuário e apaixonado por moda. Recentemente, começou a trabalhar em uma empresa do setor, segundo o veículo ativista IranWire.

Ele está preso desde a semana passada, sem advogados e não passou por nenhuma audiência judicial. A família também está sendo ameaçada, segundo fontes próximas.

A família relatou que a sentença é definitiva e teve permissão para uma breve visita de despedida nesta quarta-feira (14), por cerca de dez minutos.

Protestos no Irã

Desde o dia 28 de dezembro do ano passado, manifestantes vão às ruas de várias cidades do Irã em protesto contra aumento de preços e colapso da moeda local. Mais de 2 mil pessoas morreram nas manifestações.

Esse é o maior movimento de manifestação no Irã desde a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente ter violado as normas de vestuário para mulheres, em 2022.

*Com CNN

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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