Aiatolá Ali Khamenei diz que manifestantes estão destruindo as ruas do Irã para agradar Trump

Líder supremo do Irã deu a declaração em um comunicado televisionado nesta sexta

Ali Hosseini Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou, em comunicado televisionado nesta sexta-feira (9), que os manifestantes estão destruindo as ruas do país para agradar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Há alguns agitadores que querem agradar o presidente americano destruindo propriedades públicas. Um povo iraniano unido derrotará todos os inimigos”, disse.

“A República Islâmica chegou ao poder com o sangue de centenas de milhares de seres humanos nobres. A República Islâmica não recuará diante daqueles que buscam nos destruir”, acrscentou.

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Ameaça de Trump e resposta de Khamenei

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irã com uma resposta dura caso houvesse mortes nas manifestações. O líder iraniano retrucou, dizendo que Trump deveria se preocupar com o próprio país.

“Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume, os Estados Unidos virão em seu auxílio”, escreveu Trump na semana passada em sua plataforma Truth Social. “Estamos preparados e prontos para agir”, enfatizou.

“Ele [Donald Trump] deveria prestar atenção à situação de seu próprio país”, disparou Khamenei.

O iraniano também afirmou que Trump tem as mãos “manchadas com o sangue de iranianos”, enquanto apoiadores do governo gritavam “Morte à América” em imagens exibidas no comunicado.

Protestos no Irã

Desde o dia 28 de dezembro do ano passado, manifestantes vão às ruas de várias cidades do Irã em protesto contra aumento de preços e colapso da moeda local. O movimento ocorre em 25 das 31 províncias do país, segundo um levantamento da AFP.

Ao menos 21 pessoas morreram nos protestos, segundo comunicados oficiais. Porém, a ONG Iran Human Rights apontou 45 mortes de manifestantes.

Nesta quinta-feira (8), o país sofreu um corte na internet nacionalmente, em uma tentativa de censura das manifestações, segundo a ONG Netblocks.

Esse é o maior movimento de manifestação no Irã desde a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente ter violado as normas de vestuário para mulheres, em 2022.

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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