Conflito entre Rússia e Ucrânia completa quatro anos; veja o que mudou desde então

EUA têm sido intermediador na tentativa de cessar-fogo; especialista da UFMG acredita que conflito só será finalizado quando a Rússia atingir todos os objetivos

Sede do governo da Ucrânia foi danificada durante ataques com drones e mísseis russos

A guerra na Ucrânia, desencadeada pela invasão russa em 24 de fevereiro de 2022, completa quatro anos. O conflito, que se tornou o maior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, resultou em 15 mil mortos em território ucraniano em 2025, segundo o último levantamento divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Porém, o número real de vítimas pode ser muito maior, devido a dificuldade ao acesso às áreas ocupadas por tropas russas. Ainda não é possível estimar o real dano econômico, territorial e militar causado.

Os Estados Unidos têm sido um intermediador nas rodadas de negociações sobre um cessar-fogo entre a Ucrânia e Rússia, desde o fim de 2025. Mas, nenhum acordo foi estabelecido entre os países.

Em entrevista à Itatiaia, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lucas Rezende, do Departamento de Ciência Política, contou acreditar que o conflito só irá se encerrar quando o presidente russo, Vladimir Putin, alcançar os objetivos que motivaram a guerra - entre eles, impedir que a Ucrânia se aproxime do Ocidente e ingresse na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Destruição

O leste da Ucrânia é a região mais afetada pelo conflito, onde cidades inteiras como Bakhmut e Toretsk estão em ruínas. Cerca de 20% de todo o território está contaminado por minas, segundo a ONU.

Os ataques russos estão atingindo, sobretudo, infraestruturas energéticas. No início deste ano, a Ucrânia está passando um inverno rigoroso e os bombardeiros privam milhões de pessoas de aquecimento e eletricidade. No início de fevereiro, por exemplo, mais de mil edifícios em Kiev, capital do país, ficaram sem aquecimento, com temperaturas abaixo de -20ºC. Em Khariv, a segunda maior cidade, mais de 100 mil casas foram afetadas.

O Banco Mundial da União Europeia e a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgaram, na última segunda-feira (23), um relatório que estima que o custo de reconstrução da Ucrânia é de aproximadamente 600 bilhões de dólares (cerca de R$ 3 trilhões). O valor equivale a três vezes o PIB ucraniano previsto para 2025.

Além da energia, os setores mais afetados são transporte e habitação. Para a capital Kiev, de três milhões de habitantes, a reconstrução é estimada em mais de 15 bilhões de dólares (R$ 78 bilhões), já que a cidade é frequentemente atingida por ataques russos com drones e mísseis.

As Nações Unidas também divulgaram que mais de 6 milhões de ucranianos estão refugiados no exterior.

Situação no front

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, reconheceu, no início deste mês, a morte de 55 mil militares desde 2022. O número é considerado subestimado devido às dezenas de milhares de desaparecidos.

Do outro lado, a Rússia mantêm silêncio sobre o assunto, mas é estimado que mais de 110 mil soldados morreram desde o início do conflito, segundo o serviço russo da BBC e o veículo russo Mediazona, com base em dados de acesso público.

A forma como o conflito entre os países se desdobra é muito específico, de acordo com o professor da UFMG. O atual momento, que pode ser visto como estagnado, na verdade faz parte de uma estratégia de manter o combate por um longo período - onde os exércitos possuem grande discrepância, tanto em relação ao número de soldados, quanto ao acesso às armas.

Isso não quer dizer que não há vitórias para o lado ucraniano, mas são conquistas pontuais. “O panorama geral segue o mesmo com uma vantagem indubitável para a Rússia. O momento atual em comparação com os primeiros meses da guerra é que, depois de quatro anos, a Ucrânia está absolutamente exaurida. A Rússia está cansada? sim, mas tem condições de continuar”, explicou Lucas Rezende.

Tentativas de cessar-fogo e o futuro do conflito

Autoridades russas e ucranianas negociam, desde o fim de 2025, um cessar-fogo entre os países. As negociações estão sendo intermediadas pelos Estados Unidos. Nos últimos meses, reuniões foram realizadas em Istambul, Abu Dhabi e Genebra, mas nenhum acordo foi alcançado.

Uma das principais questões são os territórios. A Rússia quer que as forças ucranianas se retirem das áreas sob seu controle na região de Donetsk, o que Kiev rejeita.

O especialista da UFMG não acredita que os países irão chegar a um acordo comum para encerrar o conflito. Para ele, a guerra só será finalizada com a capitulação - ato formal de rendição incondicional ou sob termos específicos - total ou parcial da Ucrânia.

Por fim, ele destaca que, se a Ucrânia ainda tivesse “leverage”, ou seja, recurso financeiro para negociar, a capacidade de barganha poderia ser crucial para conseguir por um ponto final na guerra.

Leia também

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Ouvindo...