A guerra na Ucrânia, desencadeada pela invasão russa em 24 de fevereiro de 2022, completa quatro anos. O conflito, que se tornou o maior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, resultou em 15 mil mortos em território ucraniano em 2025, segundo o último levantamento divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Porém, o número real de vítimas pode ser muito maior, devido a dificuldade ao acesso às áreas ocupadas por tropas russas. Ainda não é possível estimar o real dano econômico, territorial e militar causado.
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Em entrevista à Itatiaia, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lucas Rezende, do Departamento de Ciência Política, contou acreditar que o conflito só irá se encerrar quando o presidente russo, Vladimir Putin, alcançar os objetivos que motivaram a guerra - entre eles, impedir que a Ucrânia se aproxime do Ocidente e ingresse na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Destruição
O leste da Ucrânia é a região mais afetada pelo conflito, onde cidades inteiras como Bakhmut e Toretsk estão em ruínas. Cerca de 20% de todo o território está contaminado por minas, segundo a ONU.
Os ataques russos estão atingindo, sobretudo, infraestruturas energéticas. No início deste ano, a Ucrânia está passando um inverno rigoroso e os bombardeiros privam milhões de pessoas de aquecimento e eletricidade. No início de fevereiro, por exemplo, mais de mil edifícios em Kiev, capital do país, ficaram sem aquecimento,
O Banco Mundial da União Europeia e a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgaram, na última segunda-feira (23), um relatório que estima que
Além da energia, os setores mais afetados são transporte e habitação. Para a
As Nações Unidas também divulgaram que mais de 6 milhões de ucranianos estão refugiados no exterior.
Situação no front
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, reconheceu, no início deste mês, a morte de 55 mil militares desde 2022. O número é considerado subestimado devido às dezenas de milhares de desaparecidos.
Do outro lado, a Rússia mantêm silêncio sobre o assunto, mas é estimado que mais de 110 mil soldados morreram desde o início do conflito, segundo o serviço russo da BBC e o veículo russo Mediazona, com base em dados de acesso público.
A forma como o conflito entre os países se desdobra é muito específico, de acordo com o professor da UFMG. O atual momento, que pode ser visto como estagnado, na verdade faz parte de uma estratégia de manter o combate por um longo período - onde os exércitos possuem grande discrepância, tanto em relação ao número de soldados, quanto ao acesso às armas.
Isso não quer dizer que não há vitórias para o lado ucraniano, mas são conquistas pontuais. “O panorama geral segue o mesmo com uma vantagem indubitável para a Rússia. O momento atual em comparação com os primeiros meses da guerra é que, depois de quatro anos, a Ucrânia está absolutamente exaurida. A Rússia está cansada? sim, mas tem condições de continuar”, explicou Lucas Rezende.
Tentativas de cessar-fogo e o futuro do conflito
Autoridades russas e ucranianas negociam, desde o fim de 2025, um
Uma das principais questões são os territórios. A Rússia quer que as forças ucranianas se retirem das áreas sob seu controle na região de Donetsk, o que Kiev rejeita.
O especialista da UFMG não acredita que os países irão chegar a um acordo comum para encerrar o conflito. Para ele, a guerra só será finalizada com a capitulação - ato formal de rendição incondicional ou sob termos específicos - total ou parcial da Ucrânia.
Por fim, ele destaca que, se a Ucrânia ainda tivesse “leverage”, ou seja, recurso financeiro para negociar, a capacidade de barganha poderia ser crucial para conseguir por um ponto final na guerra.