Protestos no Irã diminuem após repressão e ‘milhares de mortes’, dizem organizações

Ameaças de um ataque dos Estados Unidos no país pode ter sido um dos motivos para o enfraquecimento das manifestações; mais de três mil pessoas morreram nos atos

Lojistas e comerciantes atravessam ponte durante um protesto contra a situação econômica a em Teerã

A intensidade dos protestos contra a República Islâmica do Irã diminuiu após uma forte repressão com milhares de mortos, afirmam organizações de monitoramento nesta sexta-feira (16).

As manifestações acontecem desde dezembro do ano passado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça intervir no país desde o início dos atos - o que pode ter sido um dos motivos para o enfraquecimento dos protestos.

Mesmo assim, as forças de segurança estiveram nas ruas de Teerã, na noite dessa quinta-feira (15), data que iniciou um feriado prolongado de três dias no Irã.

Mais de três mil manifestantes foram mortos pelas forças de segurança, nas últimas três semanas, segundo o grupo de direitos humanos Iran Human Rights (IHR).

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O diretor da entidade, Mahmood Amiry-Moghaddam, afirmou que as autoridades lideradas pelo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, “cometeram um dos crimes mais graves de nossa época.”

Amiry-Moghaddam ainda citou que presenciou “relatos horripilantes de testemunhas oculares” sobre “manifestantes mortos a tiros enquanto tentavam fugir, o uso de armas de guerra e a execução em plena rua de manifestantes feridos.”

Funcionários de segurança locais relataram que cerca de três mil pessoas foram detidas durante os protestos. Este número inclui “indivíduos armados e agitadores” e “membros de organizações terroristas”, segundo a agências de notícia Tasnmim. Grupos defensores dos direitos humanos contabilizam cerca de 20 mil prisões.

O Instituto para o Estudo da Guerra avaliou que a repressão pode ter “sufocado o movimento de protesto por enquanto”. Porém, “a mobilização generalizada das forças de segurança é insustentável, o que torna possível a retomada dos protestos”, acrescentou.

EUA e Irã reduzem o tom

Após semanas de tensão, um alto funcionário saudita declarou à AFP que Árabia Saudita, Catar e Omã alertaram Trump sobre o risco de “graves repercussões para a região”, caso o republicano intervisse militarmente no Irã.

Os três países do Golfo “realizaram intensos esforços diplomáticos de última hora para convencer o presidente Trump a dar ao Irã a oportunidade de demonstrar suas boas intenções”, disse o funcionário, sob condição de anonimato.

A Casa Branca afirmou que o Irã suspendeu 800 execuções de manifestantes previstas na última quarta-feira (14). A decisão de Teerã teria sido motivada pelas ameaças de Donald Trump.

“O presidente entende que as 800 execuções que estavam programadas e que deveriam ocorrer ontem [quarta-feira] foram suspensas”, declarou a secretária de imprensa, Karoline Leavitt.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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