Irã alerta que pode atacar bases dos EUA se Trump realizar invasão

Presidentes trocaram ameaças durante a última semana em meio à onda de manifestações contra o líder supremo iraniano

Presidentes trocaram declarações durante a última semana

O Irã pode realizar ataques a bases dos Estados Unidos no Oriente Médio caso seja bombardeado, conforme as ameaças realizadas pelo presidente americano, Donald Trump. A informação divulgada pela agência de notícias Reuters foi repassada por um oficial iraniano de alto escalão.

“Teerã informou países da região, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos até a Turquia, que bases dos EUA nesses países serão atacadas”, afirmou o oficial, em caso de invasão feita pelo país americano.

No último domingo (11), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que bases e instalações militares dos EUA e de Israel no Oriente Médio seriam consideradas “alvos válidos” para retaliação caso o Pentágono adote ações militares.

“Sejamos claros: no caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nosso alvo legítimo”, disse Qalibaf, que é ex-comandante da Guarda Revolucionária de elite do Irã.

EUA podem invadir Irã após execução de manifestante

Durante o domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não se opor a “opções fortes”, que podem incluir intervenções no Irã, em meio à forte onda de manifestações que tomam o país nas últimas semanas.

Ao longo do dia, afirmou também que o Irã entrou em contato com representantes americanos e propôs negociações sobre as ameaças. O presidente disse estar aberto ao diálogo, mas que pode precisar “agir antes” caso a onda de violência siga em alta.

O presidente retomou as ameaças em entrevista ao jornal americano CBS publicada nesta quarta (14), em que Trump disse poder tomar “ações muito fortes” caso manifestantes sejam executados, sem dar mais informações sobre a declaração.

De acordo com a Organização de Direitos Humanos Hengaw, um homem de 26 anos preso na última quinta-feira (8) foi condenado à morte. A organização afirma que a família de Efran Sultani foi informada de que ele será executado ao longo desta quarta-feira, embora não tenha recebido nenhuma informação sobre quando seu julgamento ocorreu ou quais são as acusações contra ele.

“Nunca vimos um caso se desenrolar tão rapidamente”, disse Awyar Shekhi, da organização, à BBC. “O governo está usando todas as táticas que conhece para reprimir as pessoas e espalhar o medo”.

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Cerca de 2.000 mortes relatadas durante manifestações

Um oficial do Irã afirmou que cerca de 2 mil pessoas foram mortas durante os protestos que acontecem no país há três semanas. Os dados de mortos divulgados anteriormente eram atualizados pela Organização de Direitos Humanos dos EUA no Irã, o HRANA, que estimava pelo menos 544 mortes durante o período, incluindo 483 manifestantes e oito crianças. Ainda de acordo com a organização, mais de 10.600 pessoas foram presas durante as manifestações.

O governo do Irã não confirmou nenhum tipo de balanço sobre as manifestações que acontecem no país. Na segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, declarou que a situação no país estava “sob controle total” após o aumento da violência ligada aos protestos durante o fim de semana.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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