Moradores do Irã dão primeiros relatos das manifestações após a volta das ligações

Oficial informou nesta terça-feira (13) possível número de mortos; apagão digital tem primeiro avanço em dias

Comércios estão fechados na capital do Irã

Com o retorno do sinal para chamadas telefônicas no Irã durante o apagão digital que o país enfrenta em meio a onda de protestos que chega à terceira semana, as primeiras testemunhas puderam ser ouvidas pela mídia internacional. Segundo relatos, há uma forte presença policial no Centro de Teerã, capital do país e principal cenário das manifestações contra o governo do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Pela cidade, são encontrados prédios governamentais incendiados, caixas eletrônicos destruídos e poucas pessoas na rua. Outra preocupação é uma possível invasão dos Estados Unidos ao país após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que poderia usar as forças militares para proteger “manifestantes pacíficos” em meio a crescente violência policial.

“Meus clientes comentam sobre a reação de Trump e se perguntam se ele planeja um ataque militar contra a República Islâmica. Não acredito que Trump ou qualquer outro país estrangeiro se importe com os interesses dos iranianos”, afirmou um lojista iraniano à agência Associated Press

De acordo com a Organização de Direitos Humanos Hengaw, um homem de 26 anos preso na última quinta-feira (8) já foi condenado à morte. A organização afirma que a família de Efran Sultani foi informada de que ele será executado nesta quarta-feira (14), embora não tenha recebido nenhuma informação sobre quando seu julgamento ocorreu ou quais são as acusações contra ele.

“Nunca vimos um caso se desenrolar tão rapidamente”, disse Awyar Shekhi, da organização, à BBC. “O governo está usando todas as táticas que conhece para reprimir as pessoas e espalhar o medo”.

Apagão comunicacional no Irã

O sinal de telefone no Irã foi restabelecido nesta terça-feira (13), constatou um jornalista da AFP. O país, no entanto, segue sem acesso à internet em meio a protestos com repressão violenta. Defensores dos direitos humanos acusaram o país de cortar o acesso à internet para ocultar a repressão que, segundo eles, provocou centenas de mortes, ou até mais.

O país está sem acesso à internet desde 8 de janeiro, ou seja, há mais de 108 horas, segundo a ONG NetBlocks.

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Cerca de 2 mil mortos no Irã

Um oficial do Irã afirmou que cerca de 2 mil pessoas foram mortas durante os protestos que acontecem no país. Esta é a primeira vez que uma autoridade ligada ao governo do país reconhece o alto número de mortes que ocorreu nas manifestações. Em entrevista à Reuters, ele afirmou que os “terroristas” são os responsáveis pelos assassinatos tanto dos manifestantes, quanto dos agentes de segurança.

Os dados de mortos divulgados anteriormente eram atualizados pela Organização de Direitos Humanos dos EUA no Irã, o HRANA, que estimava pelo menos 544 mortes durante o período, incluindo 483 manifestantes e oito crianças. Ainda de acordo com a organização, mais de 10.600 pessoas foram presas durante as manifestações.

(Sob supervisão de Aline Campolina)

Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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