Com o retorno do sinal para chamadas telefônicas no Irã durante o apagão digital que o país enfrenta em meio a onda de protestos que chega à terceira semana, as primeiras testemunhas puderam ser ouvidas pela mídia internacional. Segundo relatos, há uma forte presença policial no Centro de Teerã, capital do país e principal cenário das manifestações contra o governo do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
Pela cidade, são encontrados prédios governamentais incendiados, caixas eletrônicos destruídos e poucas pessoas na rua. Outra preocupação é uma possível invasão dos Estados Unidos ao país após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que poderia usar as forças militares para proteger “manifestantes pacíficos” em meio a crescente violência policial.
“Meus clientes comentam sobre a reação de Trump e se perguntam se ele planeja um ataque militar contra a República Islâmica. Não acredito que Trump ou qualquer outro país estrangeiro se importe com os interesses dos iranianos”, afirmou um lojista iraniano à agência Associated Press
De acordo com a Organização de Direitos Humanos Hengaw, um homem de 26 anos preso na última quinta-feira (8) já foi condenado à morte. A organização afirma que a família de Efran Sultani foi informada de que ele será executado nesta quarta-feira (14), embora não tenha recebido nenhuma informação sobre quando seu julgamento ocorreu ou quais são as acusações contra ele.
“Nunca vimos um caso se desenrolar tão rapidamente”, disse Awyar Shekhi, da organização, à BBC. “O governo está usando todas as táticas que conhece para reprimir as pessoas e espalhar o medo”.
Apagão comunicacional no Irã
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O país está sem acesso à internet desde 8 de janeiro, ou seja, há mais de 108 horas, segundo a ONG NetBlocks.
Cerca de 2 mil mortos no Irã
Um oficial do Irã afirmou que
Os dados de mortos divulgados anteriormente eram atualizados pela Organização de Direitos Humanos dos EUA no Irã, o HRANA, que estimava pelo menos 544 mortes durante o período, incluindo 483 manifestantes e oito crianças. Ainda de acordo com a organização, mais de 10.600 pessoas foram presas durante as manifestações.
(Sob supervisão de Aline Campolina)