Mineiro de Caratinga, o técnico Ney Franco, ex-
O Al-Hussein iria jogar contra o Al-Ahli Doha, no Catar, nesta terça-feira (3), pela Champions League Two, similar a Sul-Americana da Ásia. Por isso, o clube viajou para o jogo, que foi cancelado após o início da guerra.
“Chegamos aqui na sexta à noite e no sábado começou a guerra, os EUA e Israel atacaram o Irã. Estamos em Doha, no Catar, e é justamente onde tem uma base muito grande dos EUA. Nesse contra-ataque do Irã, Doha é uma cidade que se tornou um alvo dos mísseis iranianos”, explicou Ney Franco.
O treinador brasileiro está acompanhado dos também brasileiros Robson Gomes, preparador físico que passou pelo Cruzeiro, e de Thiago Larghi, auxiliar que já foi treinador do
Os brasileiros, inclusive, estavam nas ruas de Doha quando os ataques começaram, e receberam alertas nos telefones para irem a um local seguro. Ney Franco relatou como foi nos primeiros dias.
“Nos dois primeiros dias da noite, sábado e domingo, escutamos estrondos, longe do hotel, mas ficamos apreensivos. Passamos dois dias presos no hotel. Aos poucos fomos entendendo o que estava acontecendo”, iniciou.
“Nos dois primeiros dias, sim (deu medo). Era tudo uma novidade. Somos do Brasil e estamos acostumados a ver essa guerra de longe, lançamento de míssil, ofensiva, contra, interceptação. De repente você está no meio disso tudo. No sábado a noite eu vi no céu dois lançamentos desses mísseis para interceptar outro. Aquilo ali assusta”, disse.
“Preso” no Catar
Por conta da guerra, o espaço aéreo de Doha foi fechado, o que impede Ney Franco e sua delegação, de mais de 50 pessoas, de voltarem para a Jordânia.
Há uma opção de uma viagem de mais de dois mil quilômetros por terra passando pela Arábia Saudita, ou mesmo ir até o país vizinho e pegar um vôo de lá, mas não é algo simples, como explicou o treinador.
“Não estamos impedidos de sair, mas não tem voo. Temos a possibilidade terrestre, aí tem que passar pela Arábia Saudita, mas é uma viagem de dois mil quilômetros. Agora nos chegou a informação que os aeroportos lá estão abertos, tem uma possibilidade talvez de ir até lá e de lá pegamos um voo. Mas é uma movimentação muito difícil, é uma delegação de 50 pessoas, encaixar todos em um voo é difícil. Fora a segurança. Não sabemos se esse percurso é seguro. A recomendação das autoridades é permanecer no hotel”.
Vida voltando ao normal
Ney Franco e a delegação do Al-Hussein agora veem, após seis dias, a vida voltando ao normal em Doha. Nesta quarta, foi a primeira vez que eles treinaram fora do hotel e até puderam ir a um shopping.
Agora, eles aguardam a liberação do espaço aéreo para retornarem à Jordânia.
“Hoje a cidade voltou a normalidade, tudo normal. Nesses seis dias, hoje foi o primeiro dia que fomos liberados para treinar fora do hotel. Hoje treinamos em um campo fora, antes era só na academia do hotel. Agora a noite conseguimos sair, dar uma volta no shopping. Me parece que as coisas estão se acalmando, estamos na expectativa do espaço aéreo ser aberto para a gente retornar para a Jordânia”, concluiu.