Irã está há 48 horas sem internet durante aumento da onda de protestos

País enfrenta manifestações antigoverno há duas semanas; mais de duas mil prisões foram registradas

Manifestantes se reúnem no país há duas semanas

O Irã enfrenta desconexão da internet há dois dias durante o crescimento da onda de protestos contra o alto custo de vida que ocorrem no país há duas semanas. “O Irã está offline há 48 horas, e a telemetria mostra que o bloqueio nacional da internet permanece em vigor”, publicou a organização de vigilância em cibersegurança NetBlocks no X, antigo Twitter.

Uma queda forçada de internet já foi registrada no Irã em 2019, na ocasião, os usuários foram impedidos de acessar sites localizados no exterior, mas autorizados a navegar em endereços do país. A desconexão durou 5 dias e foi classificada como “extremamente alarmante” por um grupo de defesa de livre acesso à internet, o Access Now.

A iraniana vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, disse em comunicado divulgado por canal do Telegram que o governo do país pode aproveitar o corte de conexão para promover um massacre. “Não aguardem pela contagem dos corpos na manhã”, destacou na capa da publicação. “Um blackout não é uma falha técnica no Irã, é uma estratégia”, completou.

Pelo menos 65 pessoas foram mortas e mais de duas mil presas nas últimas duas semanas em meio às manifestações antigoverno no país. Manifestantes relatam uma “onda de esperança”, embora vejam “pilhas de corpos” em hospitais e forte repressão estatal. Em entrevista à CNN, um médico disse que os hospitais enfrentam um estado caótico, outro afirmou que os soldados usaram “rifles militares” para matar “ao menos 30 pessoas” nesta sexta-feira (9)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou invadir o Irã em caso de resposta violência das forças militares aos protestos que acontecem no país, reforçado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, ao afirmar que os EUA apoiam “o país do povo”. O líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, culpou os Estados Unidos por promover as manifestações.

(Sob supervisão de Rayllan Oliveira)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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