Entenda por que a Guarda Revolucionária do Irã passou a ser considerada ‘terrorista’ pela UE

Outros países já tinham dado este título ao braço das Forças Armadas iranianas; bloco também anunciou sanções contra entidades e indivíduos iranianos

Países-membros já haviam pressionado a UE sobre esta decisão

Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) concordaram em designar a Guarda Revolucionária do Irã como “organização terrorista” nesta quinta-feira (29). A decisão é motivada após a repressão aos protestos que acontecem no país, informou o chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas.

“Qualquer regime que mate milhares de seus próprios cidadãos trabalha para sua própria destruição”, acrescentou Kallas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, concordou com a decisão da UE, afirmando que "é assim que se qualifica um regime com sangue as manifestações de seu próprio povo.”

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Países como a Itália já tinham pressionado a União Europeia para classificar o braço das Forças Armadas iranianas como organização terrorista no início desta semana.

A Guarda Revolucionária do Irã já havia recebido este título em outros países, como Estados Unidos, Canadá e Austrália.

Os membros da União Europeia também decidiram sancionar vários funcionários iranianos, inclusive o ministro do Interior, Eskandar Momeni, o chefe da polícia e líderes da Guarda Revolucionária.

No total, 21 entidades e indivíduos são alvos destas sanções, que proíbem a entrada deles na UE e congelam os seus ativos no território de todos os países-membros do bloco.

Protestos no Irã

Manifestantes, opositores da República Islâmica do Irã, vão às ruas de várias cidades do país desde o dia 28 de dezembro de 2025. Inicialmente, os protestos foram motivados pelo aumento dos preços e colapso da moeda local.

As manifestações começaram a ganhar grandes proporções, registrando mais de três mil mortos nas últimas três semanas, segundo o Iran Human Rights (IHRNGO), grupo de direitos humanos com sede na Noruega.

Os protestos representam um desafio para a República Islâmica, que está no poder desde 1979. Aos gritos de “morte ao ditador”, milhares de iranianos pedem nas ruas de Teerã e de outras cidades o fim do sistema teocrático xiita, comandado pelo aiatolá Ali Khamenei.

Esse é o maior movimento de manifestação no Irã desde a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente ter violado as normas de vestuário para mulheres, em 2022.

* Com informações da AFP.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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