União Europeia estuda romper acordos comerciais com os EUA após ameaça à Groenlândia

Medida é motivada pela promessa de Donald Trump de tarifar em 25% países que se opõem à anexação do território; republicano afirma que busca controlar a ilha para ‘manter a segurança nacional’

Chipre, detentor da presidência rotativa semestral da UE, convocou embaixadores para uma reunião de emergência em Bruxelas neste domingo (18)

A União Europeia (UE) enfrentou, neste domingo (18), pedidos para romper acordos comerciais que os Estados Unidos firmados com a Grã-Bretanha e o bloco em julho do ano passado. O desejo dos parlamentares é motivado pelas ameaças do presidente americano, Donald Trump, de tomar a Groenlândia e tarifar países que não apoiam a anexação do território.

Os pedidos são para implementar uma série de contramedidas econômicas que nunca foram utilizadas antes, conhecidas como “Instrumento Anticoerção”, como resposta do bloco às ameaças do republicano. No sábado (17), Trump prometeu um cronograma de sanções:

  • 1º de fevereiro: Dinamarca, Noruega, Suécia, França Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia sofrerão uma sobretaxa de 10% em todos os produtos exportados para os EUA.
  • 1º de junho: A tarifa será elevada para 25%, permanecendo em vigor até que um acordo de “compra completa e total” do território seja concretizado.

O “Instrumento Anticoerção” foi adotado em julho de 2023 pela União Europeia, sendo um mecanismo para responder a qualquer país que faça ameaças comerciais para pressionar algum dos 27 Estados membros do bloco. A ativação deste mecanismo pode, por exemplo, impor limites às importações de um país ou acesso a determinados mercados, com bloqueio de investimentos.

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Todos os países mencionados pelo americano enviaram militares para a Groenlândia na última quinta-feira (15) e anunciaram reforço de segurança no Ártico neste domingo (18).

O Chipre, detentor da presidência rotativa semestral da UE, convocou embaixadores para uma reunião de emergência em Bruxelas neste domingo (18).

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Membros do Parlamento Europeu criticam medidas de Trump

Nas redes sociais, membros do Parlamento Europeu criticaram as novas medidas tarifárias de Donald Trump e solicitaram a suspensão do acordo dos EUA com a União Europeia.

O membro do Parlamento Europeu, Bernd Lange, classificou as novas tarifas americanas como “inacreditáveis” e “inaceitáveis”.

“As novas tarifas americanas para vários países são inacreditáveis. Não é assim que se tratam os parceiros. Uma nova linha foi cruzada. Inaceitável. O presidente dos EUA está usando o comércio como instrumento de coerção política. A UE não pode simplesmente voltar a fazer negócios como se nada tivesse acontecido”, afirmou Lange.

“Solicito: 1. A suspensão dos trabalhos do Parlamento Europeu sobre a implementação do acordo de Turnberry até que os EUA cessem as suas ameaças. 2. O Instrumento Anticoerção (ACI), concebido precisamente para casos como este, deve ser agora utilizado. Apelo à Comissão Europeia para que o ative imediatamente. (2/3)”, acrescentou.

Já Roberta Metsola, também membro do Parlamento Europeu, disse que a União Europeia apoia a Dinamarca e o povo da Groenlândia. Ela ainda afirmou que as “medidas contra os aliados da OTAN anunciadas não contribuirão para garantir a segurança no Ártico.” “Pelo contrário, elas correm o risco de encorajar nossos inimigos comuns e aqueles que desejam destruir nossa região”, completou.

Resposta da União Europeia

Uma fonte próxima ao presidente Emmanuel Macron afirmou que o francês está trabalhando para elaborar uma resposta europeia, segundo a Reuters. Ele também estaria pressionando pela ativação do “Instrumento Anticoerção”, que poderia limitar o acesso a licitações públicas no bloco ou restringir o comércio de serviços em que os EUA têm superávit com a UE.

A primeira-ministra italiana, Giorgina Meloni, líder mais próxima de Trump, caracterizou a ameaça de tarifas como “um erro” e afirmou que havia falado o que pensava sobre o assunto com o republicano anteriormente.

Ela planejava conversar com outros líderes europeus ainda neste domingo. A Itália não enviou tropas para a Groenlândia.

Grã-Bretanha

A Secretária de Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, disse que os aliados precisavam trabalhar com os Estados Unidos para resolver a disputa.

“Nossa posição sobre a Groenlândia é inegociável... É do nosso interesse coletivo trabalhar juntos e não iniciar uma guerra de palavras”, disse ela à Sky News.

Por que Trump quer a Groenlândia?

Trump afirma que precisa controlar a Groenlândia para manter a segurança dos EUA, justificando que, caso contrário, o território seria ocupado pela Rússia ou China. A Casa Branca anunciou que analisa comprar a ilha e não descarta uma intervenção militar.

A localização estratégica e os recursos da Groenlândia poderiam beneficiar os EUA. A região fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que pode ser crucial para o sistema de alerta de mísseis balísticos do país, por exemplo.

A expansão militar na ilha ártica pode incluir a instalação de radares para monitorar as águas entre a ilha, a Islândia e a Grã-Bretanha, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.

* Com informações da CNN Brasil.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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