Oriente Médio: Trump diz que deveria ‘participar’ da eleição do próximo líder do Irã

Presidente dos Estados Unidos compara cenário com operação militar norte-americana na Venezuela; republicano diz ser ‘inaceitável’ filho de Khamenei ser o sucessor

Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu que deveria ter um papel na eleição do próximo líder supremo do Irã, após a morte do aiatolá Ali Khamenei. A declaração foi divulgada, nesta quinta-feira (5), em uma entrevista ao site de notícias norte-americano Axios.

Para o republicano, Mojtaba Khamenei - filho do antigo líder assassinado em um ataque comandado pelos Estados Unidos e por Israel - é o sucessor mais provável. Porém, Trump disse considerar o resultado “inaceitável”.

Na entrevista, o presidente estadunidense comparou a influência norte-americana nas eleições com o que aconteceu na Venezuela. Em janeiro deste ano, uma operação militar dos EUA capturaram e depuseram Nicolás Maduro e, consequentemente, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo.

Como o conflito começou?

Donald Trump anunciou que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear.

Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Confira a linha do tempo

28 de fevereiro: EUA e Israel iniciaram os ataques contra o Irã. Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

1º de março: a mídia estatal iraniana confirmou a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, pelos ataques dos Estados Unidos e Israel. Também foram confirmadas as mortes da filha, do genro, da neta e da esposa de Khamenei.

2 de março: Trump afirmou, em entrevista à CNN, que os Estados Unidos estão “dando uma surra” no Irã. Ele ainda prometeu que a “grande onda” dos ataques ainda estaria por vir. O presidente dos EUA afirmou que o conflito deve durar entre “quatro ou cinco semanas”, mas sem descartar a possibilidade do prazo se estender.

3 de março: a Assembleia dos Especialistas, localizada em Qom, no Irã, foi atingida por um bombardeio de Israel. O local poderia estar recebendo uma reunião para a eleição do novo líder supremo do país. Porém, na hora do ataque, ele estava vazio.

4 de março: a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, foi atingida por um míssil balístico iraniano. Segundo o governo catari, não houve vítimas. Na mesma data, Israel iniciou uma série de ataques contra Teerã.

5 de março: duas explosões foram ouvidas em Jerusalém. Os ataques aconteceram após Israel afirmar ter identificado mísseis lançados do Irã.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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