Negociadores ucranianos viajam aos EUA para discutir plano de cessar-fogo com Rússia

Plano norte-americano para pôr fim à guerra foi elaborado no ano passado; Zelensky busca entender quais garantias de segurança o país receberá

Zelensky, Putin e Trump

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, anunciou, nesta sexta-feira (16), que uma equipe de negociadores ucranianos viajou aos Estados Unidos para continuar as conversas sobre um plano norte-americano cessar-fogo com a Rússia.

“Esperamos que haja mais clareza em relação aos documentos que já preparamos de forma eficaz com a parte americana, como em relação à resposta da Rússia a todo o trabalho diplomático que está sendo realizado”, disse Zelensky.

O ucraniano ainda acrescentou que, se for alcançado um acordo geral, o país poderá assiná-lo durante o Fórum Econômico Mundial, na próxima semana em Davos, na Suíça.

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“Se tudo for finalizado, e houver acordo por parte dos Estados Unidos — porque da nossa parte, em princípio, creio que já terminamos —, então assinar durante Davos será possível”, apontou.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado a Ucrânia a aceitar um plano para cessar o conflito. Porém, Kiev busca precisões sobre quais garantias de segurança o país receberá como parte do plano.

Zelensky também admitiu problemas com os sistemas de defesa aérea da Ucrânia em um momento crítico do conflito. Alguns equipamentos fornecidos por aliados ocidentais ficaram sem munição em meio a uma onda de ataques russos que atingiram a infraestrutura energética do país, afirmou o presidente.

Kiev confirmou que mais de 15 mil trabalhadores do setor energético se empenham para restaurar usinas e subestações elétricas atingidas nos últimos dias por centenas de drones e mísseis russos.

Guerra na Ucrânia

A invasão russa começou em fevereiro de 2022. Na época, Vladimir Putin decretou a anexação das regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia.

Desde o início da guerra, milhares de soldados morreram na linha de frente. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 14,3 mil civis já morreram e 3,5 mil ficaram feridos desde o início da guerra, incluindo 3 mil crianças.

Os Estados Unidos têm sido o intermediador na negociação de um acordo entre as partes no pior conflito da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Em novembro, Donald Trump, elaborou um plano com 27 tópicos para finalizar a guerra na Ucrânia.

Entre as condições, estaria a entrega das regiões de Donetsk e Lohansk à Rússia. As duas regiões do leste ucraniano são reivindicadas por Moscou, assim como a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014 e são “reconhecidas de fato como russas, inclusive pelos Estados Unidos”, dizia o projeto.

Em dezembro de 2025, Zelensky apresentou uma nova versão do plano norte-americano, que foi reformulado após as negociações com Kiev em relação ao texto original.

O novo documento de 20 pontos propõe um congelamento no front sem oferecer uma solução imediata às questões territoriais e abandona duas exigências de Moscou: a retirada das tropas ucranianas da região do Donbass e um compromisso juridicamente vinculativo da Ucrânia de não ingressar na Otan.

Porém, integrantes do governo de Putin acusaram a Ucrânia de querer “torpedear” as negociações sobre o plano dos Estados Unidos para pôr fim à guerra, sinalizando que o novo texto apresentado por Kiev “difere radicalmente” do que Moscou havia negociado com Washington.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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