Após mais de 25 anos de negociações, o tratado econômico entre os países do Mercosul e a União Europeia (UE) foi oficialmente assinado neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai.
A cerimônia contou com a presença do presidente do Paraguai, Santiago Peña; do presidente da Argentina, Javier Milei; do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz; e do presidente do Panamá, José Raúl Mulino, além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa.
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O Brasil
O tratado, porém, não vai entrar em vigor imediatamente. Após a assinatura, o Parlamento Europeu precisa aprovar o acordo para internalizá-lo, bem como o Congresso Nacional brasileiro e os demais parlamentos dos países da América do Sul. A expectativa é que o processo seja completado no segundo semestre do ano.
Falas de autoridades
Em seu discurso, Santiago Peña mencionou Lula e afirmou que, “sem ele, não haveria acordo”, ao destacar o papel do presidente brasileiro nas negociações.
Já Rodrigo Paz e Javier Milei aproveitaram a ocasião para manifestar solidariedade ao povo venezuelano após a prisão de Nicolás Maduro.
Pelo lado europeu, António Costa celebrou a assinatura do acordo em um mundo “cada vez mais turbulento”, enquanto Ursula von der Leyen afirmou que a parceria entre os blocos busca promover um “comércio justo em vez de tarifas”.
Discurso de Lula ontem
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou, ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na sexta-feira (16), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia como uma demora de “mais de 25 anos de sofrimento e tentativa”.
“Quando determinei a retomada das negociações do Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, deixei claro que esse processo deveria ser compatível com os objetivos de promoção do crescimento econômico e de reindustrialização do Brasil. Foram mais de 25 anos de sofrimento e tentativa de um acordo”, disse Lula no Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty, no Rio de Janeiro.
O presidente brasileiro ainda afirmou que o acordo é bom “para o mundo democrático e para o multilateralismo”, não apenas para os dois blocos econômicos. Ainda de acordo com Lula, o Mercosul não se limitará ao papel de exportador de commodities para a UE, mas deverá produzir e vender bens industriais de valor agregado.
“O acordo prevê dispositivos que incentivam empresas europeias a ampliarem seus investimentos. Nossa parceria vai contemplar cadeias de valor estratégicas para a transição energética e digital. Este acordo de parceria vai além da dimensão econômica”, enfatizou o chefe do Palácio do Planalto.