A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou nesta quarta-feira (7) que a relação entre a Venezuela e os Estados Unidos sofreu “uma mácula” após o
O ataque ocorrido no dia 3 resultou em 100 mortes e ferimentos em Maduro e sua esposa, Cilia Flores, como declarou hoje o ministro venezuelano do Interior, Diosdado Cabello. O governo de Donald Trump, por sua vez, afirmou que pretende controlar “indefinidamente” as vendas de petróleo bruto venezuelano e que as decisões de Caracas serão “impostas” por Washington.
Para reafirmar sua influência, os Estados Unidos anunciaram a apreensão de dois petroleiros, um vazio e de bandeira russa, segundo Moscou, e “apátrida”, segundo Washington, no Atlântico Norte, além de outro carregado de petróleo sob sanções, no Caribe.
Mácula
“Há uma mácula” na relação bilateral, afirmou Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo na véspera e precisará lidar com as pressões internas e dos Estados Unidos. Ela enfatizou, no entanto, que o comércio com os americanos “não é extraordinário nem irregular”, após a petroleira estatal PDVSA anunciar uma negociação para vender petróleo bruto aos Estados Unidos.
Em Caracas, que retoma suas atividades, as manifestações convocadas pelo regime se multiplicam na tentativa de retomar a iniciativa, após a operação militar americana de sábado que resultou na captura do agora presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que estão detidos em Nova York.
Milhares de pessoas marcharam no bairro popular de Catia. “Nico, aguente, o povo se levanta!”, gritavam os manifestantes. “Estamos defendendo nossa soberania, nossa pátria. Desde pequenos nos diziam: o império, os gringos, e muitos acreditaram que isso era um conto de fadas”, declarou Tania Rodríguez, aposentada de 57 anos.
EUA ‘não estão improvisando’
Sob intensa pressão dos Estados Unidos, Caracas parece querer evitar um confronto direto.
A PDVSA “está conduzindo uma negociação com os Estados Unidos para a venda de volumes de petróleo, no contexto das relações comerciais entre os dois países”, indica um comunicado da empresa, que possui um acordo de extração e venda de petróleo, entre outros, com a multinacional americana Chevron.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, comentou mais cedo que Washington controlará as vendas de petróleo “indefinidamente”.
Além disso, Trump assegurou que a Venezuela adquirirá apenas produtos manufaturados nos Estados Unidos com a receita proveniente dessas vendas.
Trump havia anunciado na terça-feira que o governo interino de Delcy Rodríguez entregaria até 50 milhões de barris de petróleo para sua venda sob a supervisão de Washington.
Washington possui um plano para a Venezuela e “não está improvisando”, afirmou no Congresso o secretário de Estado, Marco Rubio.
Esclarecer ‘divergências’
A queda de Maduro gerou outras reações diplomáticas, como a primeira conversa entre o presidente colombiano Gustavo Petro e Donald Trump. Ambos combinaram de se encontrar em breve na Casa Branca, segundo mensagem publicada por Trump na plataforma Truth Social.
Petro “me telefonou para explicar a situação das drogas e outras divergências que tivemos. Agradeci por sua ligação e pelo seu tom”, comentou Trump.
Os Estados Unidos planejam depositar a receita da venda de petróleo bruto em contas sob seu controle. “Esses fundos serão distribuídos em benefício do povo americano e do povo venezuelano”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
“Continuamos a manter uma coordenação próxima com as autoridades interinas, e suas decisões continuarão sendo determinadas pelos Estados Unidos”, acrescentou Karoline.
Trump se reunirá com as petroleiras americanas na próxima sexta-feira, na Casa Branca, para discutir “a imensa oportunidade que têm” na Venezuela, disse a porta-voz.
“Não estamos confiscando o petróleo de ninguém”, declarou o secretário de Energia. A China é, até o momento, o principal comprador do petróleo venezuelano, que chegava a seus portos a preços descontados devido às sanções americanas e à dificuldade de transporte.
O preço do petróleo apresentou uma leve queda nos mercados internacionais nesta quarta-feira (7).
Equilíbrio difícil
Especialistas indicam que, para se manter no poder, Delcy Rodríguez precisará buscar um delicado equilíbrio entre atender às exigências de Trump e reorganizar um chavismo sem Maduro.
Por enquanto, ela manteve em seu gabinete os influentes ministros do Interior, Diosdado Cabello, e da Defesa, Vladimir Padrino, figuras-chave da administração anterior.
Na terça-feira, fez suas primeiras mudanças: nomeou como chefe da guarda presidencial um ex-chefe do serviço de inteligência (Sebin), que por sua vez controlará a temida agência de contrainteligência militar (DGCIM).
Além disso, designou Calixto Ortega como chefe da equipe econômica, cargo que havia sido deixado vago pela própria Rodríguez ao assumir a presidência.
Seu governo interino tem um prazo máximo de 180 dias, após o qual será necessário convocar eleições.
*Com AFP