O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou uma foto de seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, sendo levado pelas forças especiais norte-americanas após os ataques contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3). Maduro aparece de pé, vendado, com as mãos algemadas e com fones de ouvido na imagem, publicada na rede social do magnata, Truth Social.
A fotografia foi divulgada após apelos de uma “prova de vida” de Maduro e sua esposa, que foram capturados pelos Estados Unidos após os bombardeios em Caracas e outras regiões da Venezuela. “Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima”, disse Trump junto à imagem divulgada.
Após uma hora de intensos bombardeios em Caracas e em várias regiões da Venezuela, Trump anunciou que Maduro responderá perante um tribunal de Nova York por acusações de narcotráfico e terrorismo, e advertiu que não permitirá que ninguém de seu círculo retome o poder.
O presidente dos Estados Unidos contou à emissora Fox que acompanhou a captura de Maduro “literalmente como se estivesse assistindo a um programa de televisão”, poucas horas após anunciar a detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
A operação foi “muito bem organizada” e nenhum americano perdeu a vida, acrescentou Trump, que revelou que Maduro se escondia em uma fortaleza. “Estaremos muito envolvidos. E queremos levar liberdade ao povo”, disse Trump à Fox News.
Explosões e sobrevoos de aeronaves sacudiram Caracas por volta das 2h locais (3h em Brasília), no apogeu de quatro meses de pressão militar contra Maduro, de 63 anos. Os ataques ao Fuerte Tiuna, o maior complexo militar do país, a uma base aérea, entre outros locais, duraram cerca de uma hora, segundo jornalistas da AFP.
Trump considera ilegítimo o mandatário, que chegou ao poder em 2013 após a morte do presidente Hugo Chávez e é acusado de fraude nas eleições de julho de 2024.
Maduro foi formalmente acusado de narcotráfico pela Justiça americana em 2020, e o Departamento de Estado oferecia por ele uma recompensa de 50 milhões de dólares (271 milhões de reais na cotação atual).
Washington atacou ainda os estados vizinhos de La Guaira, onde fica o aeroporto de Caracas, Miranda e Aragua, a uma hora de carro da capital.
Caracas amanheceu deserta, mas horas depois filas se formaram em frente a supermercados. Para evitar saques, os comércios atendiam o público através das grades.
Vários bairros cheiravam a pólvora, enquanto agentes policiais encapuzados e fortemente armados percorriam a cidade e vigiavam sedes estatais.
Cerca de 500 apoiadores de Maduro se reuniram em frente ao Palácio de Miraflores; alguns erguiam seus retratos e outros agitavam bandeiras venezuelanas.
O governo venezuelano denunciou que os bombardeios afetaram populações civis, sem apresentar provas.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, primeira na linha de sucessão, exigiu de Washington uma “prova de vida imediata” de Maduro e de sua esposa.
(Com AFP)