Relíquias de São Francisco de Assis são exibidas pela primeira vez na Itália; saiba mais

Restos mortais ficam expostas em Assis até março; mostra marca os 800 anos da morte do santo

Itália exibe pela primeira vez os restos mortais de São Francisco de Assis

Milhares de peregrinos podem visitar, a partir deste domingo (22), os restos mortais de São Francisco de Assis na Itália - expostos ao público pela primeira vez no 800º aniversário da morte do santo. Os ossos foram exibidos apenas uma vez antes, em 1978, para um número limitado de pessoas e por um único dia.

As relíquias estarão expostas até 22 de março. Em latim, a vitrine de acrílico tem os dizeres “Corpus Sancti Francisci”, lembrando aos visitantes a quem pertence o esqueleto o santo falecido em 1226. Os restos estão em frente ao altar da igreja inferior da Basílica de São Francisco de Assis, localizada na cidade de Assis (Assisi), na Região da Úmbria, no centro do país europeu.

A divulgação das relíquias gerou uma longa fila de peregrinos, que esperavam do lado de fora do templo. O espaço abriu as portas às 7h horário local e cerca de 400 mil pessoas já reservaram uma visitar no local.

Nicoletta Benolli, de 65 anos, viajou de Verona, no Norte da Itália, para ver os restos mortais do santo. Emocionada, ela descreveu que foi um evento "único”. “Em um momento como esse, temos a verdade diante de nossos olhos”, resumiu.

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Já Nicola Urlandini, de 35, afirmou que sentiu como se ouvisse a mensagem de São Francisco. “Passamos rápido, mas foi muito intenso”, relatou.

O corpo do santo, fundador da ordem dos franciscasos, que renunciou à riqueza e dedicou a vida aos pobres, foi levado para a basílica construída em sua homenagem no ano de 1230. Mas foi somente em 1818, ao final de escavações realizadas com a máxima discrição, que o túmulo dele foi descoberto.

Geralmente escondido, o relicário transparente que contém os restos mortais de São Francisco desde 1978 foi retirado, na manhã desse sábado (21), do cofre de metal onde repousava no túmulo de pedra, na cripta da basílica. O pequeno esqueleto, cujo crânio foi danificado durante a transferência no século XIII, repousa sobre um pano de seda branca.

Veneração das relíquias

Frei Giulio Cesáreo, diretor de comunicação do convento franciscano de Assis, explicou que “desde a época das catacumbas, os cristãos veneram os ossos dos mártires, as relíquias dos mártires, e nunca as consideraram verdadeiramente algo macabro.”

O que “os cristãos ainda veneram hoje, em 2026, nas relíquias de um santo” é “a presença do Espírito Santo”, observou o freio Cesáreo.

Especialistas garantem que os restos mortais de São Francisco não sofrerão nenhuma alteração com a exposição prolongada. A exposição das relíquias está protegida por uma estrutura de vidro que cobre a de acrílico.

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“A vitrine [de acrílico] é selada, portanto não há contato com o ar externo. Na verdade, permanece nas mesmas condições em que estaria no túmulo”, afirma o frei Cesáreo.

Nem mesmo a iluminação fraca da igreja colocará em risco a preservação dos restos mortais. “A basílica não será iluminada como um estádio (...) porque não há nada de especial a ser feito; trata-se de um encontro com Francisco, não de um cenário de filme”, concluiu o franciscano.

Além disso, haverá câmeras de vigilância, por 24 horas, para garantir a segurança do esqueleto - que deverá receber 15 mil visitantes por dia durante a semana e até 19 mil aos sábados e domingos.

Também em Assis, no Santuário da Despossessão, são preservadas as relíquias de Carlo Acutis, um adolescente italiano que morreu em 2006 e foi canonizado em setembro pelo papa Leão XIV.

*Com informações da AFP

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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