Presos políticos na Venezuela iniciaram uma greve de fome para exigir a libertação deles. Cerca de 200 pessoas aderiram ao protesto que começou na última sexta-feira (20). A informação foi confirmada por familiares dos detentos à Agence France-Presse, neste domingo (22).
Entre os presos políticos está Nahuel Agustín Gallo, um gendarme (militar) argentino acusado de “terrorismo”. A greve acontece na prisão Rodeo I, nos arredores de Caracas, capital da Venezuela.
As famílias explicaram que os detentos protestam contra o alcance da
Lei da anistia
Na última semana, o parlamento venezuelano iniciou o debate final para a aprovação da lei da anistia geral sobre os 27 anos do chavismo no poder do país latino-americano. O projeto, impulsionado pela presidente interina Delcy Rodríguez - após a prisão de Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos - é tensionado por Washington e o mandatário norte-americano Donald Trump.
Poucos dias depois da captura de Maduro, o governo da Venezuela anunciou um processo de liebertações, que concedeu soltura condicional a mais de 400 presos políticos. Especialistas estimam que a anistia levará à saída de mais prisioneiros sem condições.
O texto da
A lei propõe que o perdão seja geral e agranja todas as pessoas que foram processadas ou condenadas pela alegada ou comprovada “prática de crimes políticos ou relacionados” entre 2002 e 2025. Entre eles, o projeto menciona:
- O golpe de Estado de 11 de abril de 2002, incluindo os ataques e atentados contra governos estaduais, prefeituras e instalações públicas e privadas;
- Os atos de violência por motivos políticos “no âmbito da greve e da sabotagem de empresas e do setor petrolífero” de dezembro de 2002 a fevereiro de 2003, além dos atos de violência por motivos políticos ocorridos em fevereiro, março e agosto de 2004;
- Atos de violência com motivação política ocorridos em maio de 2007, bem como manifestações e atos de violência com motivação política entre julho e setembro de 2009;
- Atos que ocorreram no contexto das eleições presidenciais de abril de 2013 e atos de violência com motivação política entre fevereiro e junho de 2014;
- Eventos ocorridos no âmbito das ações da Assembleia Nacional instalada no período de 2016 a 2020 e o desrespeito às instituições e autoridades públicas, bem como os atos de violência com motivação política ocorridos entre março e agosto de 2017;
- Eventos ocorridos entre janeiro e abril de 2019, bem como aqueles relacionados à convocação e realização dos processos internos para a seleção dos candidatos à presidência em 2023;
- Atos de violência com motivação política ocorridos no contexto das eleições presidenciais de julho de 2024, bem como eventos semelhantes ocorridos no contexto das eleições regionais para a Assembleia Nacional realizadas em 2025.
*Com informações da AFP e CNN Brasil.
(Sob supervisão de Alex Araújo)