Rússia lança bombardeios na Ucrânia às vésperas do 4º aniversário da invasão

Ataques atingiram Kiev e cidades próximas da capital; conflito completa quatro anos em 24 de fevereiro

Presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, e mandatário russo Vladimir Putin

A Rússia lançou uma série de bombardeios com drones e mísseis contra vários locais na Ucrânia, neste domingo (22), atingindo infraestruturas ferroviárias, instalações de energia e edifícios residenciais. Os ataques acontecem dois dias antes de completar quatro anos da invasão comandada por Vladimir Putin, desencadeando o maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Kiev, a capital ucraniana, tem sido alvo de bombardeios ao longo do conflito. A polícia informou que este último ataque deixou pelo menos um morto e dezenas de feridos, incluindo quatro crianças. Nas últimas semanas, o Kremlin intensificou os ataques, atingindo principalmente a infraestrutura energética do país, em meio ao inverno rigoroso.

Jornalistas da Agence-France Presse oviram explosões durante esta madrugada, pouco depois de um alerta de ataque aéreo com mísseis balísticos ter sido acionado.

Moradores de Kiev relataram tremores durante o ataque. “Senti o prédio tremer”, disse Olga, uma mulher de 48 anos. Outro vizinho destacou que não existe instalações militares na região atingida. “Esta é uma área residencial; há escolas, jardins de infância, casas. Então isso definitivamente não tem relação com nenhuma instalação militar ou qualquer tipo de indústria”, disse Anton.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky repudiou os ataques russos, indicando que o país lançou cerca de 50 míssesi e 300 drones. “Moscou continua investindo mais em seus ataques do que em diplomacia”, escreveu nas redes sociais. “O principal alvo foi o setor de energia. Prédios residenciais e infraestrutura ferroviária também foram danificados”, acrescentou.

Explosões em outras regiões da Ucrânia

A Força Aérea ucraniana declarou um alerta geral em todo o país devido a ameaças de mísseis. Autoridades das regiões de Dnipro, no centro-leste, e Odessa, no sul, também relataram bombardeios, que deixaram duas pessoas feridas na primeira e atingiram infraestruturas com drones.

Em Lviv, perto da fronteira com a Polônia, explosões em lojas no centro da cidade mataram uma policial e feriram outras 15 pessoas, antes que os alertas de ataque aéreo fossem ativados. “Este é claramente um ato terrorista”, declarou o prefeito Andrii Sadovy em um vídeo publicado nas redes sociais, sem especificar quem poderia ser o responsável.

Quatro anos de guerra

O maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial completará quatro anos em 24 de fevereiro. A Rússia, que invadiu aproximadamente 20% do território ucraniano, bombardeia diariamente áreas civis e infraestruturas - desencadeando a pior crise energética da Ucrânia desde o início da invasão em 2022.

Na frente diplomática, várias rodadas de negociações foram realizadas desde o início deste ano, entre enviados de Kiev, Moscou e Washington - que tem sido intermediador de um possível acordo de cessar-fogo entre os países. Porém, não houve nenhum progresso concreto até o momento.

Nesta terça-feira (24), quando o conflito entre em seu quinto ano, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, copresidirão uma reunião por videoconferência da Coalizão de Voluntários em apoio à Ucrânia.

*Com informações da AFP

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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