Governo de Minas paga primeira parcela da dívida com a União sob regras do Propag

Primeira das 360 parcelas teve o valor de R$ 102 milhões. Valores mensais vão aumentar gradativamente nos primeiros anos de vigência do programa

Primeira de 360 parcelas do pagamento refinanciado da dívida com a União foi pago na quinta-feira (15)

O Governo de Minas Gerais pagou, na última quinta-feira (15), R$ 102 milhões à União relativos à primeira parcela da quitação do débito no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). A adesão mineira ao projeto de refinanciamento prevê a divisão do pagamento em 30 anos, ou 360 parcelas mensais.

De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda, o pagamento da parcela já está de acordo com os benefícios previstos no Propag, com destaque para a fixação dos juros apenas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que determina a inflação.

Os primeiros anos do Propag serão de aumento gradativo nos valores das parcelas até uma estabilização em médio prazo e o início real da redução do estoque devido à União, como explicado à Itatiaia pelo secretário de Estado de Fazenda, Luiz Cláudio Gomes. Para 2026, Minas prevê pagar R$ 5,5 bilhões em parcelas da dívida.

A dívida de Minas com a União é de R$ 179,3 bilhões. Esse valor será parcelado em três décadas com a redução dos juros mediante o cumprimento de exigências previstas no Propag. Uma delas foi a apresentação de ativos do estado para abater ao menos 20% do estoque da dívida.

O governo estadual apresentou uma relação de itens ao governo federal, que ainda não respondeu quais aceitará como forma de amortização da dívida. Ainda assim, a autorização da adesão ao Propag foi oficializada no último dia de 2025.

Outro mecanismo do Propag que precisa ser atendido pelo estado em troca da redução dos juros é a contribuição ao Fundo de Equalização Federativa (FEF). A contribuição é relativa ao desconto obtido com a redução de um ponto percentual de juros que será abatido. Em novembro, Minas fez o primeiro pagamento do tipo, no valor de R$ 152 milhões.

O que diz o Propag

O Programa de Pleno pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) foi criado a partir das dificuldades encontradas pelo governador Romeu Zema (Novo) em aprovar a adesão de Minas Gerais ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) na Assembleia Legislativa (ALMG). Principal pauta do Executivo Estadual para lidar com a situação da bilionária dívida com a União, a medida foi considerada excessivamente austera pelos parlamentares e não caminhou na Casa.

O RRF foi instituído durante a presidência de Michel Temer (MDB) como uma forma de adequação orçamentária dos estados endividados. Durante nove anos de vigência do regime, os estados precisam conter investimentos, limitar os reajustes salariais dos servidores e congelar novos concursos para o funcionalismo público, por exemplo.

Sem conseguir aderir ao regime via Legislativa, Zema conseguiu o ingresso via Supremo Tribunal Federal (STF) em 2024. Minas, então, se somou a um grupo formado por Goiás, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, todos operando sob o RRF. Paralelamente à empreitada jurídica do governador, membros da oposição na Assembleia, o presidente da Casa, Tadeu Martins Leite (MDB), e o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), começaram a costurar o que viria a ser o Propag.

O projeto de lei complementar que propunha a criação do Propag foi aprovado no Congresso Nacional em dezembro de 2024, sancionado parcialmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em janeiro do ano seguinte e regulamentado em abril.

O programa prevê a criação de condições para que os estados endividados com a União consigam parcelar o pagamento do débito em até 30 anos. Neste contexto, o Propag estabelece mecanismos para a redução dos juros cobrados sobre as parcelas, hoje calculados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que estabelece a inflação — mais 4% do estoque da dívida ao ano.

O ingresso no Propag deve ser decidido pelos estados até o fim deste ano e pode ser feito em diferentes modelagens, todas elas com a possibilidade da redução dos juros reais com a eliminação dos quatro pontos percentuais cobrados além da inflação.

O modelo escolhido pelo governo mineiro e em discussão com um pacote com mais de uma dezena de projetos enviados à Assembleia prevê a redução de dois pontos percentuais a partir do abatimento de ao menos 20% do estoque da dívida. Hoje, Minas deve cerca de R$ 175 bilhões à União e, portanto, precisaria pagar R$ 35 bilhões para atingir seu objetivo.

Esse pagamento pode ser feito a partir da federalização de ativos estatais para amortizar a dívida com seu repasse ao governo federal ou via privatização dos bens com uso do recurso para o abatimento do débito. Neste contexto estão os polêmicos debates de venda de imóveis do estado e da Copasa e da federalização da Codemig, há meses monopolizando a discussão no Legislativo mineiro.

Outro ponto percentual pode ser abatido com o compromisso de que a economia obtida com essa redução de juros seja reinvestida no estado. O uso do valor que não será pago em forma de dívida deve, portanto, ser aplicado em ações de segurança pública, ensino profissionalizante, infraestrutura e outras áreas nevrálgicas da estrutura do estado.

Por fim, mais um ponto percentual pode ser suprimido com a contribuição com o Fundo de Equalização Federativa. Instituído pelo próprio Propag, essa medida foi tomada como uma forma de negociar a aprovação do texto no Congresso junto a parlamentares de estados que não estão em dívida com a União e que viam no programa de refinanciamento uma iniciativa de favorecimento das unidades federativas em débito. Os valores destinados ao fundo serão redistribuídos entre os estados do país.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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